sexta-feira, 31 de janeiro de 2014


40 - Bíblia - A História da Criação – Haja Luz! 


     “E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.” Gênesis 1:3-5. 

     Assim como o oxigênio precisa se unir ao hidrogênio para que haja água, sabemos hoje que a luz não poderia existir no princípio do universo. Da mesma maneira que para existir moléculas de oxigênio precisamos que estrelas entrem em fusão nuclear, também para haver luz precisamos delas, as estrelas. Como é de se esperar há aqueles que tentam adaptar os relatos bíblicos com o que a ciência tem descoberto nas últimas décadas. Mas o que pensam estes religiosos? 

   
Basicamente estes dizem que quando Deus fala em Gênesis “Haja luz!”, ele está ordenando que o big bang comece o seu processo de expansão do universo. E devido a temperatura altíssima a única partícula que poderia resistir e conter toda a energia suficiente para gerar o nosso universo seria um fóton (partícula sub atômica de luz), isto explicaria o relato de Gênesis quando Deus ordena que haja luz. Logo quem poderia saber que o universo começou com uma partícula de luz? Pessoas primitivas? Não, somente o criador. Desta maneira alguns religiosos dizem que esta seria uma prova que a bíblia é realmente inspirada por Deus. 

     Se fizermos uma análise superficial desta hipótese até que faz muito sentido, mas existe algumas coisas que não foram consideradas que gostaria de expor aqui. A primeira delas é que esta parte da bíblia foi escrita em hebraico, logo a palavra usada para luz “owr” é usada para luz visível e não para luz invisível como no caso de um fóton (fótons estão em todos os lugares, mas vocês não os veem). Esta palavra é usada também para descrever a luz do sol e em toda a bíblia é a mesma palavra usada para descrever luz visível, a luz do dia. Não podemos deixar também de considerar que no texto de Gênesis fala “tarde e manhã o primeiro dia” e como já vimos no post anterior a palavra dia é literal, logo não podemos dizer que a ordem “haja luz” foi a bilhões de anos atrás. Sendo assim para considerar esta hipótese proposta por alguns cristão, temos que desconsiderar o que foi escrito no original em hebraico, logo isto não passa de uma adaptação para tentar encaixar o relato de Gênesis com a ciência moderna. Mas o que diz a ciência a respeito do surgimento da luz? 

   
 A ciência nos diz que 250 mil anos após o big bang o universo era formado somente por alguns elementos, dentre eles haviam pequenas galáxias, as chamadas protogaláxias, que por sua vez continham hidrogênio e matéria escura. Com o passar do tempo o hidrogênio, primeiro elemento a se formar no universo, foi se resfriando e se alojando no interior das protogaláxias envolvido pela matéria escura. Acontece que o hidrogênio começou a se aglomerar no núcleo a ponto de se contrair entrando em colapso. Este colapso emite radiação ultravioleta que ioniza o restante do hidrogênio que não estava no núcleo. O processo de ionização faz com que o hidrogênio libere o elétron do próton, e desta maneira houve luz. Logo cientificamente podemos dizer que as primeiras estrelas que emitiram luz no universo surgiram somente 250 mil anos depois do início deste. 

     Voltando para a bíblia, sabemos que a luz descrita em gênesis é a luz visível, a luz do dia. Não há dia na terra sem a luz da nossa estrela, o sol. Logo, se considerarmos seriamente que o relato de Gênesis é literal, como foi marcado o primeiro dia “tarde e manhã” sem a presença do sol? Um criador onisciente não começaria colocando o sol para iluminar o dia? Como foi feita a separação das trevas da luz? Deus chamou as trevas de noite e a luz de dia, mas como fez isso sem o sol? Ficam muitas perguntas. 

     Resumindo, se interpretarmos de forma conciliativa ou adaptativa com a ciência nós esbarramos na literalidade da criação do Gênesis comprovada através da escrita hebraica. Já se interpretarmos de forma literal os absurdos são maiores ainda, a ponto de termos dia e noite sem o nosso sol. Cada vez mais eu percebia que para continuar a crer na criação do gênesis literal como um todo, seria necessário desconsiderar o que sabemos de cosmologia científica até aqui.

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