segunda-feira, 26 de agosto de 2013

11 - Morte de Entes Queridos

     Perdi um dos meus avôs quando eu tinha quatro anos, e até meus vinte e poucos anos não havia perdido nenhum familiar ou amigo, mas isso tudo mudou a oito anos atrás. Lembro que estava desempregado quando dormindo recebi uma mensagem da minha irmã que na época morava na Itália, a qual dizia o seguinte: “Estou muito triste que o vô Clóvis faleceu mais triste por não poder estar aí e me despedir dele”. Naquele momento meu mundo caia, pois já fazia quase um ano que não visitava o meu avô e ele morava a menos de dez quilômetros de distância da minha casa. Fiquei sentado na beira da cama pensando que aquilo não era verdade, como podia, o “vô véio”, como carinhosamente o chamávamos, havia morrido. Uma sensação de tristeza mesclada a uma impotência e fragilidade intensa me invadia.

Cemitério ao qual meu vô foi enterrado.
     Já havia passado por velórios de pessoas mais velhas, mas todas da igreja adventista e sempre quando íamos a estes velórios as pessoas ficavam tristes pela perda do ente querido, mas a sensação de esperança era muito maior. Mas neste caso o meu vô não era adventista e no meu modo de ver naquela época eu sabia que aquela era a ultima vez que veria o meu vô, e por este motivo eu estava extremamente chateado. Por que não falei do amor de Jesus pra ele? Por que não insisti com ele? Por que não o visitei mais vezes? Todas estas perguntas me vinham à mente e lembro que no velório eu fiquei lá sentando um bom tempo, só pensando.

     Como seria enfrentar a morte de pessoas que não pensavam como eu pensava? Como seria enfrentar a morte de pessoas que a principio eu saberia que não veria no céu? Eu queria que no céu o meu avô estivesse, afinal o céu seria um lugar muito mais animado. Pois se tem uma coisa que meu vô deixou foi um sorriso no rosto de cada pessoa a lembrar dele. Ele errou muito na vida como pai, mas como avô sempre fez de tudo pra consertar seus erros, nenhum dos netos lembra-se dele sem sorrir lembrando-se das coisas engraçadas que dizia, ou das histórias que contava. 

     O tempo foi passando e confesso a vocês que perder alguém e não ter a certeza da ressurreição na qual acreditava, era perturbador. Aquilo me deixou uma cicatriz enorme. Com o tempo fui entendendo que tudo na vida passa, tudo na vida morre um dia, eu, você que lê as minhas palavras neste momento, todos um dia morreremos. Entendi que independente do que você crê com respeito à morte, todos passarão por ela, e o mais importante é: O que você tem deixado pras pessoas que se lembrarão de você. Será que elas terão um sorriso no rosto quando se lembrarem a teu respeito? 

     Viva um dia de cada vez, fale “eu te amo” as pessoas que você ama, faça planos, mas não deixe que eles escravizem a tua vida, visite as pessoas que você quer bem, quando se lembrar do passado lembre-se de coisas boas, trabalhe, mas tenha tempo para se divertir, abrace, sorria, ria com amigos até perder o folego, brinde a vida, pois ela passa. Independente de crença a única certeza que temos é que só se vive uma vez!

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