11 - Morte de Entes Queridos
Perdi um dos meus avôs quando eu tinha quatro anos, e até meus vinte e
poucos anos não havia perdido nenhum familiar ou amigo, mas isso tudo
mudou a oito anos atrás. Lembro que estava desempregado quando dormindo
recebi uma mensagem da minha irmã que na época morava na Itália, a qual
dizia o seguinte: “Estou muito triste que o vô Clóvis faleceu mais
triste por não poder estar aí e me despedir dele”. Naquele momento meu
mundo caia, pois já fazia quase um ano que não visitava o meu avô e ele
morava a menos de dez quilômetros de distância da minha casa. Fiquei
sentado na beira da cama pensando que aquilo não era verdade, como
podia, o “vô véio”, como carinhosamente o chamávamos, havia morrido. Uma
sensação de tristeza mesclada a uma impotência e fragilidade intensa me invadia.

Cemitério ao qual meu vô foi enterrado.
Já havia passado por velórios de pessoas mais velhas, mas todas da
igreja adventista e sempre quando íamos a estes velórios as pessoas
ficavam tristes pela perda do ente querido, mas a sensação de esperança
era muito maior. Mas neste caso o meu vô não era adventista e no meu
modo de ver naquela época eu sabia que aquela era a ultima vez que veria
o meu vô, e por este motivo eu estava extremamente chateado. Por que
não falei do amor de Jesus pra ele? Por que não insisti com ele? Por que
não o visitei mais vezes? Todas estas perguntas me vinham à mente e
lembro que no velório eu fiquei lá sentando um bom tempo, só pensando.
Como seria enfrentar a morte de pessoas que não pensavam como eu
pensava? Como seria enfrentar a morte de pessoas que a principio eu
saberia que não veria no céu? Eu queria que no céu o meu avô estivesse,
afinal o céu seria um lugar muito mais animado. Pois se tem uma coisa
que meu vô deixou foi um sorriso no rosto de cada pessoa a lembrar dele.
Ele errou muito na vida como pai, mas como avô sempre fez de tudo pra
consertar seus erros, nenhum dos netos lembra-se dele sem sorrir
lembrando-se das coisas engraçadas que dizia, ou das histórias que
contava.
O tempo foi passando e confesso a vocês que perder
alguém e não ter a certeza da ressurreição na qual acreditava, era
perturbador. Aquilo me deixou uma cicatriz enorme. Com o tempo fui
entendendo que tudo na vida passa, tudo na vida morre um dia, eu, você
que lê as minhas palavras neste momento, todos um dia morreremos.
Entendi que independente do que você crê com respeito à morte, todos
passarão por ela, e o mais importante é: O que você tem deixado pras
pessoas que se lembrarão de você. Será que elas terão um sorriso no
rosto quando se lembrarem a teu respeito?
Viva um dia de cada
vez, fale “eu te amo” as pessoas que você ama, faça planos, mas não
deixe que eles escravizem a tua vida, visite as pessoas que você quer
bem, quando se lembrar do passado lembre-se de coisas boas, trabalhe,
mas tenha tempo para se divertir, abrace, sorria, ria com amigos até
perder o folego, brinde a vida, pois ela passa. Independente de crença a
única certeza que temos é que só se vive uma vez!

Nenhum comentário:
Postar um comentário