sexta-feira, 23 de agosto de 2013

10 - Uma Tentativa Frustrada Na Música.

     A música sempre fez parte da minha vida cristã, desde quando cantava duetos com a minha irmã, passando por solos, trios, quartetos, grupos, etc. Deste modo, depois que cantei no In Core algumas portas se abriram para mim no sentido de ensaiar grupos, visto que era eu que fazia a maioria dos arranjos para o In Core.

     Recebi uma proposta de ensaiar um grupo de canoas, conversei com os diretores e logo começamos a ensaia-los. Conversei com todos os integrantes em particular pra saber o que eles esperavam do grupo e pra entendê-los também, e todos gostavam de estar ali, mas todos foram unânimes em falar que as músicas cantadas eram muito antigas e queriam músicas mais atuais. Escolhi um repertório de músicas mais atuais e mostrei a direção a qual não quis as músicas justificando que eram um grupo mais conservador, e eu como era pago pra ensaia-los tive que ensaiar as músicas antigas sugeridas pela direção. Pra vocês terem uma ideia, eu não podia usar nem bateria na música, só se fosse bem disfarçado.

     O grupo precisava urgentemente de reforço vocal, neste momento convenci o pessoal que cantava no grupo Amigos em Louvor, o qual ensaiava, para juntar-se ao grupo que começava a ensaiar. Alguns ajustes, algumas apresentações, alguns ensaios e logo eles estavam cada vez melhor, estavam em ascensão novamente, foi neste momento ocorreu uma situação bem constrangedora.

     A direção do grupo me procurou para uma conversa a fim de me relatar que precisavam tirar um componente antigo do grupo. Lembro que eu perguntei, mas porque, qual seria o motivo? Eles me responderam que este componente era afeminado e que líderes da igreja já estavam os cobrando, mas como eles chegariam pra ele e falariam que ele não poderia mais cantar por ser afeminado. Pediram então para eu dar uma desculpa e tira-lo do grupo baseado em algo musical, pois desta maneira ele não se sentiria ofendido. Lembro que falei, mas como vou tira-lo do grupo por ser afinado, o que vou falar pra ele? Vou ter que mentir pra resolver algo que é da alçada da direção? Resumindo, eu não o tirei do grupo, pois ele estava ali para cantar e o fazia, a inclinação sexual dele não me dizia respeito.

     O tempo passou, a direção ficou um pouco decepcionada comigo, e as reclamações dos membros do grupo se acentuaram no sentido das músicas antigas. Conversei novamente com a direção do grupo a qual foi irredutível na escolha das músicas. Então eu relatei aos membros e disse que eu tinha um grupo em São Leopoldo o qual cantava músicas mais jovens, e convidei-os para entrarem no grupo com a condição que não saíssem do grupo o qual estavam. Seria perfeito, reforçaria o grupo de São Leopoldo, assim como os componentes o fizeram quando os chamei para reforçar o grupo de Canoas, não teria conflito de agenda, pois o grupo de São Leopoldo só sairia quando o grupo de Canoas estivesse de folga, e todos ficariam satisfeitos. Acontece que a direção não entendeu assim, achou que eu estava “roubando” os cantores de seu grupo e sem eu poder explicar-me “demitiram-me” por telefone. Reuniram os componentes, deram a versão deles dos fatos, mentiram na maior “cara de pau” e eu não pude se quer participar desta reunião, tão pouco me despedir deles.

     Fiquei muito chateado com esta situação porque fui injustiçado, e criei amigos neste grupo, ainda mais porque a injustiça foi feita por pessoas que se dizem cristãos. Pessoas que se importavam se estávamos ou não de gravata na hora de cantar, mas não olhavam para o próprio coração que estava longe de agir como o cristianismo se propõe. Cada vez mais pensava que mesmo que o cristianismo propusesse uma religião onde o amor seria a base de tudo, as pessoas que estavam na igreja, ou não o seguiam, ou o cristianismo era uma coisa utópica que ninguém conseguiria seguir.

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