10 - Uma Tentativa Frustrada Na Música.
A música sempre fez parte da minha vida cristã, desde quando cantava
duetos com a minha irmã, passando por solos, trios, quartetos, grupos,
etc. Deste modo, depois que cantei no In Core algumas portas se abriram
para mim no sentido de ensaiar grupos, visto que era eu que fazia a
maioria dos arranjos para o In Core.
Recebi uma proposta de
ensaiar um grupo de canoas, conversei com os diretores e logo começamos a
ensaia-los. Conversei com todos os integrantes em particular pra saber o
que eles esperavam do grupo e pra entendê-los também, e todos gostavam
de estar ali, mas todos foram unânimes em falar que as músicas cantadas
eram muito antigas e queriam músicas mais atuais. Escolhi um repertório
de músicas mais atuais e mostrei a direção a qual não quis as músicas
justificando que eram um grupo mais conservador, e eu como era pago pra
ensaia-los tive que ensaiar as músicas antigas sugeridas pela direção.
Pra vocês terem uma ideia, eu não podia usar nem bateria na música, só
se fosse bem disfarçado.
O grupo precisava urgentemente de
reforço vocal, neste momento convenci o pessoal que cantava no grupo
Amigos em Louvor, o qual ensaiava, para juntar-se ao grupo que começava a
ensaiar. Alguns ajustes, algumas apresentações, alguns ensaios e logo
eles estavam cada vez melhor, estavam em ascensão novamente, foi neste
momento ocorreu uma situação bem constrangedora.
A direção do
grupo me procurou para uma conversa a fim de me relatar que precisavam
tirar um componente antigo do grupo. Lembro que eu perguntei, mas
porque, qual seria o motivo? Eles me responderam que este componente era
afeminado e que líderes da igreja já estavam os cobrando, mas como eles
chegariam pra ele e falariam que ele não poderia mais cantar por ser
afeminado. Pediram então para eu dar uma desculpa e tira-lo do grupo
baseado em algo musical, pois desta maneira ele não se sentiria
ofendido. Lembro que falei, mas como vou tira-lo do grupo por ser
afinado, o que vou falar pra ele? Vou ter que mentir pra resolver algo
que é da alçada da direção? Resumindo, eu não o tirei do grupo, pois ele
estava ali para cantar e o fazia, a inclinação sexual dele não me dizia
respeito.
O tempo passou, a direção ficou um pouco
decepcionada comigo, e as reclamações dos membros do grupo se acentuaram
no sentido das músicas antigas. Conversei novamente com a direção do
grupo a qual foi irredutível na escolha das músicas. Então eu relatei
aos membros e disse que eu tinha um grupo em São Leopoldo o qual cantava
músicas mais jovens, e convidei-os para entrarem no grupo com a
condição que não saíssem do grupo o qual estavam. Seria perfeito,
reforçaria o grupo de São Leopoldo, assim como os componentes o fizeram
quando os chamei para reforçar o grupo de Canoas, não teria conflito de
agenda, pois o grupo de São Leopoldo só sairia quando o grupo de Canoas
estivesse de folga, e todos ficariam satisfeitos. Acontece que a direção
não entendeu assim, achou que eu estava “roubando” os cantores de seu
grupo e sem eu poder explicar-me “demitiram-me” por telefone. Reuniram
os componentes, deram a versão deles dos fatos, mentiram na maior “cara
de pau” e eu não pude se quer participar desta reunião, tão pouco me
despedir deles.
Fiquei muito chateado com esta situação porque
fui injustiçado, e criei amigos neste grupo, ainda mais porque a
injustiça foi feita por pessoas que se dizem cristãos. Pessoas que se
importavam se estávamos ou não de gravata na hora de cantar, mas não
olhavam para o próprio coração que estava longe de agir como o
cristianismo se propõe. Cada vez mais pensava que mesmo que o
cristianismo propusesse uma religião onde o amor seria a base de tudo,
as pessoas que estavam na igreja, ou não o seguiam, ou o cristianismo
era uma coisa utópica que ninguém conseguiria seguir.
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