9 - O Nascimento do João Lucas

Minha esposa grávida
Passados um ano e meio de casados, a minha esposa Ana Lúcia mudou
completamente de humor, do nada começava a chorar ao mesmo tempo em que
implicava por tudo. Eu como nunca havia passado por esta experiência
ficava sem entender o que estava acontecendo, mas logo apareceram alguns
outros sinais. Lembro que certa vez estávamos indo visitar o avô dela
em Porto Alegre, e estávamos sentados no fundo do ônibus, quando o
ônibus parou em uma parada e ela disse: “Que cheiro de cachaça!”, e eu
perguntei: “Aonde cheiro?” e ela: “Do cara que está subindo no ônibus!”.
Naquele momento vi que tinha algo de diferente nela, foi quando disse
pra Ana fazer um exame o qual não deu outra ela estava grávida! A
gestação foi tranquila até que no sexto mês ela teve que ficar de repouso, pois teve contrações antes do tempo.
Chegando mais perto da data lembro que estava tudo certo, o parto
deveria ser de cesariana pela posição do bebê, e estava marcado para o
dia 20 de julho de 2008. Acontece que a bolsa rompeu no dia 19 de julho
de 2008 num sábado pela manhã, deste modo fomos para o hospital.
Chegando lá às 8 horas da manhã pensei: no máximo em uma hora meu filho
terá nascido, deu tudo certo até aqui e com certeza Deus irá nos
abençoar, mesmo que o médico o qual havíamos marcado não poderia
realizar o parto, Deus nos acompanharia. Acontece que o médico
plantonista disse que o parto teria que ser normal visto que o bebê
tinha caído na posição pra nascer, e eu argumentei com ele que não era
possível, pois ele poderia estar virado, mas não estava encaixado pra
nascer, sem contar que a Ana não tinha dilatação suficiente para o tal.

João Lucas 21 Dias
Tentaram induzir o parto natural a todo custo, o tempo
passava e eu cada vez mais nervoso, pois meu filho poderia ser enforcado
com o cordão umbilical, ou acabar o liquido amniótico e nascer a seco,
ou poderiam forçar a passagem dele o deixando alguns segundos sem ar
causando alguma doença grave nele. Foi aí que irritado com a situação,
depois de ter orado e nada fazia o meu filho nascer, eu tomei uma
atitude. Invadi a maternidade do hospital e fui até a sala dos médicos,
encontrei o médico tomando um café, bem tranquilo enquanto a minha
mulher estava á quase 8 horas em trabalho de parto. “Chutei o balde”,
disse a ele que se caso o meu filho nascesse com qualquer problema por
negligência dele eu o infernizaria pelo resto da minha vida, que
qualquer leigo sabe que não adianta o bebê estar virado na posição de
nascimento, que ele precisa estar encaixado e ele precisa empurrar os
ossos da mãe a fim de nascer, e isso não tinha acontecido. Eu exigia
providencia naquele exato momento. Foi então que em meia hora o meu
filho, João Lucas, nasceu.
Jamais me esquecerei daquele
primeiro olhar pra mim, simplesmente uma sensação que só quem é pai ou
mãe terá, algo impagável. Aprendi uma lição neste dia: “Independente do
que você acredite as coisas só acontecem se você agir.”
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