Formei-me em técnico em mecânica de precisão no ano de 2000 e neste
mesmo ano entrei no mercado de trabalho. Como é normal para todo jovem
sem experiência entrando no mercado de trabalho as expectativas e
ansiedades eram grandes. Lembro que neste momento da minha vida colocava
todos os meus anseios nas mãos de Deus, pensava da seguinte maneira: Se
Deus guia a minha vida eu não preciso ficar preocupado quanto a emprego
ou de como agir, Deus tem um plano pra minha vida, logo devo somente
orar e ele me guiará no que for necessário e nas decisões a serem
tomadas no dia a dia.
Troquei um emprego ao qual estava quase
um ano por um emprego mais técnico o qual me proporcionaria um melhor
salário. Lembro que orei fielmente a Deus e senti que a sua resposta era
que deveria de aceitar o emprego novo. Acontece que neste emprego novo o
salário prometido não era na carteira e sim um salário mínimo da época e
o resto seria por fora, além do que a vaga foi somente temporária, o
que não havia sido me informado no momento da entrevista. Fiquei muito
chateado na época, pois tinha orado com fé e tudo me indicava que aquele
emprego era algo provindo de Deus para mim. O que tinha acontecido? Era
eu que não sabia orar direito? Não tinha fé suficiente? Não sabia
escutar a voz de Deus?
O tempo passou e eu consegui o melhor
emprego da minha vida na engenharia de uma grande empresa de Porto
Alegre fabricante de armas. Fiquei empolgado, pois o emprego era bom, o
salário era ótimo, e com certeza como cristão atribuí tudo aquilo aos
cuidados de Deus, pois se uma porta havia se fechado Deus havia aberto a
janela para mim. Acontece que a empresa que eu trabalhava produzia
armas, ou seja, eu projetava armas. Logo veio a pressão e o pensamento,
que se eu era cristão eu não poderia projetar armas. Seria algo parecido
com eu ter um estabelecimento comercial sendo eu cristão e vender
cigarros ou bebidas alcoólicas. Pra resumir, eu me desinteressei pelo
emprego e acabei perdendo o mesmo, e uma estranha sensação de estar
fazendo a coisa certa me acompanhava.
Acontece que depois da
perda deste emprego Deus se esqueceu de me abençoar, pois fiquei um ano e
meio sem emprego, mandava currículos e nunca era selecionado, não
passavam de entrevistas e o emprego que eu precisava nada. Ficava
pensando, “meu Deus, o que está acontecendo, fui ser fiel a ti e estou
sem emprego”, não conseguia entender o porquê. Pensava da seguinte
maneira: Estou me colocando nas mãos de Deus, é só eu mandar os
currículos e esperar acontecer. Acontece que foi somente quando tomei
consciência de que nada aconteceria sem eu agir que eu consegui me
realocar no mercado de trabalho. Simplesmente intendi que tínhamos o
livre arbítrio e que se Deus me ajuda, logo ele interferiria no livre
arbítrio de outra pessoa. Então na primeira entrevista depois desta
mudança de pensamento consegui o emprego.
Neste momento da
minha vida não fiquei decepcionado com Deus, eu simplesmente acreditava
que estava entendendo um pouco mais sobre como Deus agia. Que Deus nos
ajudava, mas ele não podia interferir no livre arbítrio e por esse
motivo que muitas vezes achava eu que ele demorava a atender.
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