quarta-feira, 21 de agosto de 2013

8 - Empregos

     Formei-me em técnico em mecânica de precisão no ano de 2000 e neste mesmo ano entrei no mercado de trabalho. Como é normal para todo jovem sem experiência entrando no mercado de trabalho as expectativas e ansiedades eram grandes. Lembro que neste momento da minha vida colocava todos os meus anseios nas mãos de Deus, pensava da seguinte maneira: Se Deus guia a minha vida eu não preciso ficar preocupado quanto a emprego ou de como agir, Deus tem um plano pra minha vida, logo devo somente orar e ele me guiará no que for necessário e nas decisões a serem tomadas no dia a dia.

     Troquei um emprego ao qual estava quase um ano por um emprego mais técnico o qual me proporcionaria um melhor salário. Lembro que orei fielmente a Deus e senti que a sua resposta era que deveria de aceitar o emprego novo. Acontece que neste emprego novo o salário prometido não era na carteira e sim um salário mínimo da época e o resto seria por fora, além do que a vaga foi somente temporária, o que não havia sido me informado no momento da entrevista. Fiquei muito chateado na época, pois tinha orado com fé e tudo me indicava que aquele emprego era algo provindo de Deus para mim. O que tinha acontecido? Era eu que não sabia orar direito? Não tinha fé suficiente? Não sabia escutar a voz de Deus?

     O tempo passou e eu consegui o melhor emprego da minha vida na engenharia de uma grande empresa de Porto Alegre fabricante de armas. Fiquei empolgado, pois o emprego era bom, o salário era ótimo, e com certeza como cristão atribuí tudo aquilo aos cuidados de Deus, pois se uma porta havia se fechado Deus havia aberto a janela para mim. Acontece que a empresa que eu trabalhava produzia armas, ou seja, eu projetava armas. Logo veio a pressão e o pensamento, que se eu era cristão eu não poderia projetar armas. Seria algo parecido com eu ter um estabelecimento comercial sendo eu cristão e vender cigarros ou bebidas alcoólicas. Pra resumir, eu me desinteressei pelo emprego e acabei perdendo o mesmo, e uma estranha sensação de estar fazendo a coisa certa me acompanhava.

     Acontece que depois da perda deste emprego Deus se esqueceu de me abençoar, pois fiquei um ano e meio sem emprego, mandava currículos e nunca era selecionado, não passavam de entrevistas e o emprego que eu precisava nada. Ficava pensando, “meu Deus, o que está acontecendo, fui ser fiel a ti e estou sem emprego”, não conseguia entender o porquê. Pensava da seguinte maneira: Estou me colocando nas mãos de Deus, é só eu mandar os currículos e esperar acontecer. Acontece que foi somente quando tomei consciência de que nada aconteceria sem eu agir que eu consegui me realocar no mercado de trabalho. Simplesmente intendi que tínhamos o livre arbítrio e que se Deus me ajuda, logo ele interferiria no livre arbítrio de outra pessoa. Então na primeira entrevista depois desta mudança de pensamento consegui o emprego.

     Neste momento da minha vida não fiquei decepcionado com Deus, eu simplesmente acreditava que estava entendendo um pouco mais sobre como Deus agia. Que Deus nos ajudava, mas ele não podia interferir no livre arbítrio e por esse motivo que muitas vezes achava eu que ele demorava a atender.

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