quarta-feira, 21 de agosto de 2013

7 - A Música, In Core.

     Por anos cantei em grupos aos quais tinha sempre que ensinar as pessoas e a grande maioria das pessoas não as quais ensaiei gostavam de cantar, mas não eram apaixonadas pela música. Foi por ocasião da minha ida a Florianópolis que começamos a cantar em trio, eu, a Ana Lúcia e minha irmã mais nova. Desde a primeira vez que cantamos sentimos um casamento vocal muito grande, na época achava que era obra de Deus tudo aquilo e estávamos vivendo um momento mágico, sobrenatural, musicalmente falando.

     Em 2003 quando voltamos para o Rio Grande do Sul, reencontramos o nosso amigo de longa data, o Edu, o qual tinha ido morar no interior do Paraná. Ele disse que estava voltando, e desta maneira começava o quarteto In Core. Uma soprano, uma contralto, um tenor e um baixo, este quarteto era um dos melhores grupos aqui do estado em qualidade vocal da IASD. Saímos quase todos os sábados pra cantar, muitas vezes domingos e quartas feiras também. A vida era corrida, mas era muito bom usar os talentos pra algo que eu acreditava estar certo, tudo estava encaixado, um ótimo namoro, algo na música e dando muito certo, as coisas estavam sendo abençoadas por Deus.

In Core - Capela ULBRA
     Com o passar do tempo fomos percebendo alguns empecilhos no nosso ministério musical. Muitas pessoas se negavam a ajudar na passagem ou no transporte quando íamos cantar nas suas respectivas igrejas, ou seja, além de termos que cantar sem ganhar nada, ainda nós tínhamos que financiar o nosso próprio transporte. Isso foi nos cansando aos poucos, visto que muitas igrejas eram longe e nós tínhamos que acordar muito cedo para estarmos lá antes das nove horas da manhã de sábado. Pensamos em progredir, afinal de contas era evidente que as pessoas gostavam do que fazíamos, mas sempre havia algum empecilho. Tentar viver sob as normas da IASD é muito difícil quando se é jovem, imaginem quatro pessoas tentando andar na linha. Então entre disciplinas, idas e vindas, nosso ministério foi enfraquecendo e culminou na saída do Edu da IASD. Ainda tentamos algum tempo algumas outras formações, chegamos a ser um sexteto, que por sinal ficou muito bom, mas os componentes já estavam cansados de tentar dar certo e sempre surgia algo para nos atrapalhar. No ano de 2010 minha irmã foi estudar no interior de São Paulo, acabando de vez com o In Core, pois a base deste grupo sempre foi o trio que tínhamos no início. 

In Core FEMUSA - IASD Central de POA
     Deste período musical guardo muitas coisas boas, como as saídas, ensaios, amizades, mas foi exatamente neste período que comecei a conhecer um lado da religião ao qual eu não conhecia. Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção foi como a IASD gasta dinheiro em promover artistas de sua gravadora, mas não dá chance para artistas tão bons quantos ou melhores do que os que estão na vitrine adventista. Não existe um incentivo a grupos que se destaquem nas IASDs, todos os músicos que estão fora das famílias dos pastores, ou que não são conhecidos, ou que não saíram de um internato adventista, não tem a oportunidade que estes têm. Outra coisa que acontece na IASD é que esta instituição é muito boa em apontar o erro dos outros, mas não faz nada pra ajudar a “recuperar” esta pessoa, como aconteceu com um componente do nosso quarteto, o Edu.

     O Edu conheceu uma menina que já tinha um filho, ou seja, ela era mãe solteira. Diferentemente do que a maioria dos jovens faria, ele se envolveu com esta moça e logo estavam namorando e este filho o aceitou como pai. Uma atitude nobre na verdade, mas que trouxe alguns problemas para sua vida, o primeiro deles é que esta moça precisava de um marido e não de um namorado, desta maneira eles começaram a morar juntos. O que a IASD fez então, os disciplinaram. Concordo até porque existem regras que a principio devem ser seguidas, mas adianta disciplinar e dar as costas? É assim que um pai trata um filho? Pois foi assim que a IASD se portou neste sentido. As coisas começaram a ficar difíceis para aquele casal, talvez até por falta de apoio, ou talvez por tentar viver de acordo com o esperado pelas normas da igreja, o lar foi se desmanchando e a separação foi inevitável. Com o passar do tempo eles resolveram voltar tanto para IASD como voltar a ficar juntos. Decidido isso a IASD pediu que estes se casassem no civil, e foi isso que fizeram. Nós estávamos aguardando ansiosos que Edu voltasse a cantar conosco, mas por erro de secretaria da IASD o Edu não tinha sido disciplinado e precisou esperar mais seis meses, mesmo tendo ficado um bom tempo fora da igreja, para voltar a cantar. Aquilo foi um balde de agua fria, lembro que fiquei muito indignado na época, parecia que as pessoas não queriam que desse certo o nosso quarteto, ou que as pessoas estavam mais preocupadas em punições e não em receber os irmãos de volta ao convívio cristão. Isso me fez pensar muito, pois se tínhamos os dons dados por Deus, estávamos dispostos a usa-los na obra dele, por que então ele não nos ajudava, por que tudo dava tão errado pra nós? Por que a IASD não nos estendia a mão? Começava a duvidar se a IASD era mesmo a “menina dos olhos” de Deus, pois o interesse dos lideres era sempre disciplinar e não ajudar. Naquele momento eu estava insatisfeito com a postura da IASD como um todo.

Áudio de uma música cantada pelo In Core:

Pertence A Ti.mp3

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