7 - A Música, In Core.
Por anos cantei em grupos aos quais tinha sempre que ensinar as pessoas
e a grande maioria das pessoas não as quais ensaiei gostavam de cantar,
mas não eram apaixonadas pela música. Foi por ocasião da minha ida a
Florianópolis que começamos a cantar em trio, eu, a Ana Lúcia e minha
irmã mais nova. Desde a primeira vez que cantamos sentimos um casamento
vocal muito grande, na época achava que era obra de Deus tudo aquilo e
estávamos vivendo um momento mágico, sobrenatural, musicalmente falando.
Em 2003 quando voltamos para o Rio Grande do Sul, reencontramos o nosso
amigo de longa data, o Edu, o qual tinha ido morar no interior do
Paraná. Ele disse que estava voltando, e desta maneira começava o
quarteto In Core. Uma soprano, uma contralto, um tenor e um baixo, este
quarteto era um dos melhores grupos aqui do estado em qualidade vocal da
IASD. Saímos quase todos os sábados pra cantar, muitas vezes domingos e
quartas feiras também. A vida era corrida, mas era muito bom usar os
talentos pra algo que eu acreditava estar certo, tudo estava encaixado,
um ótimo namoro, algo na música e dando muito certo, as coisas estavam
sendo abençoadas por Deus.

In Core - Capela ULBRA
Com o passar do tempo fomos
percebendo alguns empecilhos no nosso ministério musical. Muitas pessoas
se negavam a ajudar na passagem ou no transporte quando íamos cantar
nas suas respectivas igrejas, ou seja, além de termos que cantar sem
ganhar nada, ainda nós tínhamos que financiar o nosso próprio
transporte. Isso foi nos cansando aos poucos, visto que muitas igrejas
eram longe e nós tínhamos que acordar muito cedo para estarmos lá antes
das nove horas da manhã de sábado. Pensamos em progredir, afinal de
contas era evidente que as pessoas gostavam do que fazíamos, mas sempre
havia algum empecilho. Tentar viver sob as normas da IASD é muito
difícil quando se é jovem, imaginem quatro pessoas tentando andar na
linha. Então entre disciplinas, idas e vindas, nosso ministério foi
enfraquecendo e culminou na saída do Edu da IASD. Ainda tentamos algum
tempo algumas outras formações, chegamos a ser um sexteto, que por sinal
ficou muito bom, mas os componentes já estavam cansados de tentar dar
certo e sempre surgia algo para nos atrapalhar. No ano de 2010 minha
irmã foi estudar no interior de São Paulo, acabando de vez com o In
Core, pois a base deste grupo sempre foi o trio que tínhamos no início.

In Core FEMUSA - IASD Central de POA
Deste período musical guardo muitas coisas boas, como as saídas,
ensaios, amizades, mas foi exatamente neste período que comecei a
conhecer um lado da religião ao qual eu não conhecia. Uma das primeiras
coisas que me chamou a atenção foi como a IASD gasta dinheiro em
promover artistas de sua gravadora, mas não dá chance para artistas tão
bons quantos ou melhores do que os que estão na vitrine adventista. Não
existe um incentivo a grupos que se destaquem nas IASDs, todos os
músicos que estão fora das famílias dos pastores, ou que não são
conhecidos, ou que não saíram de um internato adventista, não tem a
oportunidade que estes têm. Outra coisa que acontece na IASD é que esta
instituição é muito boa em apontar o erro dos outros, mas não faz nada
pra ajudar a “recuperar” esta pessoa, como aconteceu com um componente
do nosso quarteto, o Edu.
O Edu conheceu uma menina que já
tinha um filho, ou seja, ela era mãe solteira. Diferentemente do que a
maioria dos jovens faria, ele se envolveu com esta moça e logo estavam
namorando e este filho o aceitou como pai. Uma atitude nobre na verdade,
mas que trouxe alguns problemas para sua vida, o primeiro deles é que
esta moça precisava de um marido e não de um namorado, desta maneira
eles começaram a morar juntos. O que a IASD fez então, os disciplinaram.
Concordo até porque existem regras que a principio devem ser seguidas,
mas adianta disciplinar e dar as costas? É assim que um pai trata um
filho? Pois foi assim que a IASD se portou neste sentido. As coisas
começaram a ficar difíceis para aquele casal, talvez até por falta de
apoio, ou talvez por tentar viver de acordo com o esperado pelas normas
da igreja, o lar foi se desmanchando e a separação foi inevitável. Com o
passar do tempo eles resolveram voltar tanto para IASD como voltar a
ficar juntos. Decidido isso a IASD pediu que estes se casassem no civil,
e foi isso que fizeram. Nós estávamos aguardando ansiosos que Edu
voltasse a cantar conosco, mas por erro de secretaria da IASD o Edu não
tinha sido disciplinado e precisou esperar mais seis meses, mesmo tendo
ficado um bom tempo fora da igreja, para voltar a cantar. Aquilo foi um
balde de agua fria, lembro que fiquei muito indignado na época, parecia
que as pessoas não queriam que desse certo o nosso quarteto, ou que as
pessoas estavam mais preocupadas em punições e não em receber os irmãos
de volta ao convívio cristão. Isso me fez pensar muito, pois se tínhamos
os dons dados por Deus, estávamos dispostos a usa-los na obra dele, por
que então ele não nos ajudava, por que tudo dava tão errado pra nós?
Por que a IASD não nos estendia a mão? Começava a duvidar se a IASD era
mesmo a “menina dos olhos” de Deus, pois o interesse dos lideres era
sempre disciplinar e não ajudar. Naquele momento eu estava insatisfeito
com a postura da IASD como um todo.
Áudio de uma música cantada pelo In Core:
Pertence A Ti.mp3


Áudio de uma música cantada pelo In Core:
Pertence A Ti.mp3
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