6 - O Melhor Momento da Minha Vida, Ana Lúcia.
Na mesma época que meus pais estavam tentando reatar o casamento e por
este motivo estavam morando em Florianópolis, eu fui comemorar o meu
aniversário lá na casa deles. Acontece que neste período a minha irmã
mais nova era muito amiga de uma gauchinha que também havia se mudado
para Florianópolis, e ela estava lá na ocasião do meu aniversário. Não
acredito em amor a primeira vista, mas não posso negar que fiquei
encantado com o jeito de ser e com a beleza desta moça, fiquei tão
vislumbrado e nossa amizade que começou naquele final de semana foi tão
grande, que já queria estar lá no próximo final de semana junto dela.

Eu e Ela - Ainda Namorados
Pouco a pouco comecei a conquistar o coração dela, então no dia 28 de
julho de 2003 ficávamos juntos pela primeira vez. Foi desta maneira que
todas as minhas decepções sobre um lar ruindo tinham acabado, eu só
queria estar com ela, tinha olhos só pra ela, olhava pra frente e tinha
certeza que era com ela que eu queria construir um lar, uma família,
queria fazer certo, não queria cometer os erros que os meus pais
cometeram. A Ana Lúcia era uma pessoa que tinha uma comunhão com Deus
muito grande, tinha propósitos, levantava de madrugada para orar, vinha
de uma família bem conservadora e religiosa, só que ao mesmo tempo
éramos jovens adultos e tínhamos os nossos desejos. Desta maneira não
demorou muito para termos nossa vida sexual ativa, algo totalmente
proibido pela IASD antes do casamento, mas que a grande maioria dos
casais de namorados adventistas tem, mas escondem.
Acontece
que não foi somente a beleza, caráter, simpatia, que me chamaram a
atenção na Ana Lúcia, havia muitos assuntos em comum também. Um deles, e
com certeza o predominante, foi a música. A Ana nasceu em um lar
adventista e desde muito cedo, ainda criança, cantava na igreja,
participava de corais, ensaiou grupos, ou seja, as nossas trajetórias de
vida se pareciam muito, tínhamos muito em comum. Além do que ela tem
uma voz encantadora, uma das sopranos com a voz mais bonita que já ouvi
cantar. Mesmo antes de começarmos o relacionamento já estávamos cantando
juntos formando um trio: eu, ela e minha irmã.
No final do
ano de 2003 voltamos a morar no Rio Grande do Sul, mais precisamente em
São Leopoldo, na casa onde morava antes de ir para Florianópolis, sim eu
me mudei para Florianópolis quando comecei a namorar a Ana Lúcia. Com a
vinda para São Leopoldo, não demorou muito para que começássemos
novamente a nos envolver com a música na igreja, visto que sempre houve
uma deficiência muito grande de bons músicos na igreja a qual eu cresci.
Foram grupos, corais infantis, quartetos, etc. Desta maneira estávamos
novamente envolvidos com a obra da IASD, ganhando fiéis para a igreja
através da música. Meu descontentamento com Deus havia se acabado, pois
acreditava fielmente que ele havia me dado um presente muito maior, a
Ana Lúcia, que agora me fazia querer estar cada vez mais perto dele.

Casamento
Casamos no civil no dia 09 de junho de 2006 e no religioso no dia 11 de
junho de 2006, foi o casamento mais lindo em que eu já estive. O sermão
era sobre música, lembro-me de cada detalhe daquele dia, ela entrou
linda pela porta da igreja acompanhada pelo seu avô, era o ápice de um
relacionamento que acreditava ter sido guiado por Deus e estávamos ali
para receber a benção dele.
Logo após me casar fui morar nos
fundos da casa de um amigo de longa data chamado Cleber, o qual se
mostrou uma excelente pessoa estendendo a mão quando precisávamos de um
lugar pra morar. Neste período o Cleber já tinha algumas perguntas sem
respostas e me indagava pra ver se eu respondia estas. Confesso que
fiquei bem curioso e vi que ele tinha razão em muitas indagações, mas eu
sempre pensava que Deus transcendia a lógica, então não me detive muito
nas questões existenciais da minha fé. Era muita coisa que pesava para o
lado da religião, estava casado com a pessoa que aparentemente Deus
havia escolhido para a minha vida, cantava em um quarteto com qualidade
vocal invejável, ou seja, meu mundo era guiado por Deus, não duvidaria
em nenhum momento disso.
Somente um questionamento me
balançou, pensava o seguinte: se Deus havia escolhido a Ana Lúcia para
mim e eu para ela, logo este era o plano dele desde o início. Acontece
que pra eu conhecer a Ana meus pais tiveram que ir morar em
Florianópolis, e pra eles terem ido pra lá foi porque eles estavam
tentando uma reconciliação de um casamento que já havia acabado.
Resumindo pra eu e a Ana Lúcia nos conhecermos, meus pais tiveram que se
separar. Logo conclui que minha felicidade era mais importante do que a
de minha família pra Deus, e pensar desta maneira me incomodava, pois
não seria justo. Esta dúvida me seguiu por muitos anos.
Durante
o casamento entramos numa rotina de igreja, trabalho e coisas da casa, a
dúvida quanto aos planos de Deus sempre me acompanhou, mas a sufocava
com as atividades na igreja.


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