28 - A Igreja Adventista e os Dízimos
Desde criança era estimulado a ofertar na famosa “ofertinha” da escolinha, todas as crianças são estimuladas a esta prática com historinhas e musiquinhas que façam com que este ato de doar dinheiro a igreja se torne algo natural quando se é adulto. Lembro de levar as moedinhas para colocar no envelope de oferta, o qual passava por todas as crianças para terem a oportunidade de ofertar.
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| Igreja Adventista Pobre |
Todos os dízimos na igreja adventista vão diretamente para a associação, a qual administra os gastos de muitas igrejas e paga os seus pastores e obreiros. As despesas da igreja ficam por contas das ofertas, que são diferentes dos dízimos e não tem um valor estipulado como o dizimo. Parte destas ofertas ficam na igreja local, parte vai para alguma missão ou projeto evangelístico da igreja e parte vai para a associação também.
Acontece que com o tempo a igreja a qual eu frequentava precisava de uma reforma, e eu lembro na época que foi muito difícil fazer com que a associação ajudasse a nossa igreja. Então após muita pressão a associação ajudou com parte da reforma, o resto foi tirado das ofertas e foi criado um sistema de ofertas específico para a reforma da igreja chamado “capela cofre”. Esta prática é comum em muitas igrejas que precisam ser reformada, pois a associação ajuda com muito pouco, e a desculpa é sempre a mesma que não tem dinheiro suficiente.
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| Igreja Adventista Com Dinheiro |
A cobrança de dízimo varia de igrejas para igrejas, hoje em algumas denominações, notadamente as protestantes e a Igreja Católica Romana, ele é apenas algo recomendável, fruto da gratidão do cristão às bênçãos de Deus. Entretanto, em outras comunidades cristãs, principalmente entre os neopentecostais, o dízimo assume um caráter obrigatório, assim como tinha na Lei, sendo que sua inobservância pode acarretar uma série de transtornos, tais como doenças, crises financeiras, enfim, toda sorte de males.
A palavra dizimo é encontrado pela primeira vez na bíblia em (Gen. 14) e significa colheita, ou ceifa, esta foi uma atitude voluntária, quando depois de uma guerra, Abraão ofereceu a um sacerdote chamado Melquisedeque. Jacó, seu neto, também comprometeu-se voluntariamente a dar dízimos, esse dízimo nunca foi dinheiro e sim cereais. O preceito religioso estabelecido na ordem levítica da lei de Moisés, que pela sua lei significa a décima parte de algo, paga voluntariamente ou através de taxa ou imposto, era para ajudar organizações religiosas judaicas segundo a Lei de Moises. (Levíticos 27, 30, 32) (Malaquias 3:10) (Hebreus 7:5). Segundo ordem, dizimo era dado exclusivamente aos levitas (1 Cr 15:2) (Hebreus 7.5), (Hebreus 7.11).
O início do dízimo se deu porque dentre as 12 tribos de Israel, a mais pobre era a tribo de Levi, então as tribos mais prósperas deveriam repartir mantimentos com a tribo menos favorecida justamente porque elas tinham colheitas em abundancia e não necessitavam de tantos mantimentos, guardar tudo para elas mesmas significaria acumular tesouro o que é terminantemente proibido por Deus, a tribo de Levi por sua vez também ofertava a viúvas órfãos e necessitados (Deuteronômio 26:12) e repartiam com os estrangeiros, já que Israel no passado também já foi estrangeira, significando assim amor ao próximo. Naquele tempo benção era chuva para a colheita, maldição era seca, o devorador eram os gafanhotos, tudo isso definitivamente nada tem a ver a associação do devorador com o demônio nem benção com prosperidade financeira, como ensinam alguns sistemas religioso de hoje, em toda a bíblia não existe uma única citação que ampare essa afirmação. Segundo a LEI apenas os LEVITAS poderiam recolher o dizimo.
Os líderes religiosos de hoje que recolhem o dizimo, não são da tribo de Levi, não são Judeus e não fazem parte da Lei de Moisés. Este costume existiu de Abraão, até Levi (Hebreus 7:9). Nessa passagem Paulo explica que, o dizimo termina em Levi e por ser Cristo sacerdote segundo a Ordem de Melquisedeque, este aboliu o sacerdócio levítico com todas as suas as leis, dízimos e costumes, conforme narra Paulo na carta endereçada aos Hebreus (Hebreus 7, 1 - 28). Paulo diz: "Com efeito, mudado que seja o sacerdócio, é necessário que se mude também a lei” (Hebreus 7.12). E ainda: "O mandamento precedente é, na verdade, abolido pela sua fraqueza e inutilidade" (Hebreus 7, 18).
Para o apoio do dizimo usando o novo testamento muitos cristãos usam esta passagem: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.” (Mateus 23:23). Aqueles dois homens viviam sobre a lei de Moises, eram obrigados a dar o dizimo, o cominho e hortelã porque eram Judeus. Também vemos que neste contexto Jesus está dando uma bronca no pessoal que só lembrava do dízimo e esqueciam-se dos outros preceitos da lei, definitivamente ele não está orientando-nos a praticar o preceito do dízimo. A única coisa que está escrito na bíblia que Jesus e seus discípulos preservaram com relação ao dízimo foram os preceitos da caridade e ajudar o necessitado, ou seja ofertar ao próximo.
Resumindo, não existe orientação a dar o dízimo, este é um ato restrito aos hebreus na época de Moisés, Paulo mesmo no novo testamento deixa claro isso. Existem igrejas que tem uma doutrina da prosperidade, onde que quanto mais você doa, mais Deus te abençoa, uma espécie de barganha com Deus. Assim como por outro lado existem igrejas que se sustentam somente com as ofertas de seus membros, ou até mesmo igrejas que tem o dízimo, mas não obrigam os seus membros a dizimar.
A igreja adventista, a qual dá o nome do título deste post, está no meio termo, entre estas duas situações a qual comentei. Não tem uma doutrina da prosperidade abertamente, mas incentiva em algumas situações a seus membros darem uma oferta especial chamada de “fundo de inversão”, ou seja, você dá uma oferta especial condicional a uma benção, uma doutrina da prosperidade disfarçada digamos assim. Por outro lado incentiva seus membros a dizimar sempre, através de vídeos de pessoas que duplicaram seus bens dando dízimos, “trizimos”, etc. Dá se a entender de quem dá mais, mais abençoado será. Outro ponto fundamental é que, se perguntares a qualquer pastor ele te dirá que o dízimo é somente para a pregação do evangélio, fazendo uma analogia com os levitas do tempo de Moisés, quando na verdade o dízimo é usado nas escolas, hospitais, construção de associações luxuosas, etc.
Minha opinião pessoal é de que doa quem quer, e a igreja faz o que quiser. Mas se você está lendo este post, já foi em igrejas adventistas sem chão ou caindo as paredes em contraste com igrejas com chão de puro mármore, te faço a pergunta: Não seria mais cristão ajudar as pessoas que realmente precisam ao invés de construir verdadeiros palácios com o teu dinheiro? Não foi isso que Jesus deixou de mensagem? Se esta é a igreja verdadeira, porque então não usa o dinheiro dos dízimos somente para este fim? Membros adventistas podem usar hospitais adventistas de graça? Nas escolas os membros tem vaga gratuita, ou para seus filhos da mesma maneira? Se você não sabe, é hora de começar a pensar a respeito, tenho certeza que o seu dizimo fará muito melhor a família sem teto que você não ajuda mas por outro lado engorda cada vez mais a instituição adventista rica e poderosa. Foi este o exemplo que Jesus deixou?


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