domingo, 24 de novembro de 2013

33 - A Igreja Adventista e o Falso Juízo Investigativo


                Continuando o ultimo assunto abordado no último post, os adventistas assumiram o erro de cálculo de Guilherme Miller, mas mudaram a explicação do acontecido em 22 de outubro de 1844. Deste erro surgia a explicação que ao invés de Jesus ter voltado ele estaria nesta data passando do lugar santo para o santíssimo no santuário celestial. Logo vieram as perguntas sobre o que Jesus estaria fazendo no lugar santíssimo e o porquê desta passagem de um lugar para o outro no santuário. Vejamos um pouco sobre esta doutrina da igreja adventista do sétimo dia.

                A igreja adventista crê que em 1844 ao Jesus passar do lugar santo para o santíssimo do santuário celestial, teve início o juízo investigativo. O termo investigativo refere-se ao examinar os registros, mantidos pelos anjos celestiais, de todos os atos dos que professam ser filhos de Deus. O resultado desta minuciosa investigação determinará quem estará qualificado para ir para o Céu ou não. Esquematicamente o adventista crê: que todos serão julgados, que existe um registro no Céu do que se passa na Terra, que existe a possibilidade de um nome ser riscado do livro da vida e que os justos participarão do julgamento final onde os ímpios serão julgados novamente. Uma pessoa que não gastar tempo analisando esta doutrina pode ser facilmente convencida da validade desta interpretação particular adventista, eu mesmo por muito tempo acreditei nesta interpretação. Mas resolvi analisar novamente com um olhar mais cauteloso e descobri muitas inconsistências absurdas nesta doutrina que é mantida até hoje pelos adventistas. Vejamos alguns pontos desta doutrina:

                1 - Não Há Biblicamente Registros de Pecados Perdoados no Céu.

                A doutrina adventista diz que "Todos aqueles que verdadeiramente se arrependeram e pela fé reclamaram o sangue do sacrifício expiatório de Cristo, terão assegurado o perdão. Quando seus nomes forem chamados a julgamento e se constatar que eles estão revestidos pelo manto da justiça de Cristo, seus pecados serão apagados e eles serão considerados dignos da vida eterna." (Nisto Cremos, p. 418).

 Já a bíblia nos diz em Hebreus 10: 14 a 17: “Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados. E o Espírito Santo também no-lo testifica, porque depois de haver dito:  Este é o pacto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seu entendimento; acrescenta: E não me lembrarei mais de seus pecados e de suas iniquidades.” e em Miquéias 7:18 e 19 “Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar.”

Observe que de acordo com os adventistas os fiéis somente terão seus pecados apagados quando forem chamados a julgamento. Em qual verso bíblico os teólogos adventistas se basearam para fazer tal afirmação?  Não se basearam em nenhum verso, apenas tomaram por base Ellen G. White. Se você, adventista, duvida disso, então releia a doutrina (Nisto Cremos, p. 418). Deseja você saber onde isso está fundamentado? Grande Conflito, 484: “... o sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai; contudo, ainda permaneciam seus pecados nos livros de registro. Como no serviço típico havia uma expiação ao fim do ano, semelhantemente, antes que se complete a obra de Cristo para redenção do homem, há também uma expiação para tirar o pecado do santuário.”  É Ellen White que crê que os “pecados perdoados” continuam registrados nos livros do Céu. E perceba que ela se referia aos “crentes arrependidos”, que haviam recebido o “perdão”. A bíblia indica que os pecados perdoados são apagados dos registros. São lançados nas profundezas como diz em Miquéias 7:18 e 19. Ou você acha que ‘lançá-los nas profundezas do mar’, ‘não lembrar-se deles’ são apenas ‘forças de expressão’?

2 - Se alguém “não for aprovado” no juízo investigativo, logo ele será um “ímpio” e terá que passar por um “segundo” juízo.

Ao ser reprovado no juízo investigativo o crente passa a ser um ímpio e passará pelo abrangente juízo final, o que me leva a conclusão de que, em todo o tempo, na onisciência, Deus já sabia que aquele crente era um ímpio e que no caso deste professo crente, o melhor julgamento era mesmo o “juízo final”. Mas Deus o deixou passar pelo juízo investigativo, pra que? Que tipo de Deus o juízo investigativo pressupõe? Um Deus que reserva aos professos crentes um destino pior que o dos ímpios: aqueles a quem Ellen White chama de ‘professo povo de Deus’ são aqueles que tentaram ser cristãos e, como não conseguiram, deverão passar por “dois” julgamentos, o juízo investigativo e o juízo final onde serão aniquilados.

A bíblia nos fala que Jesus disse: "... de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de Meu Pai, e diante de Seus anjos." Apocalipse 3:5. Cristo disse que de maneira nenhuma riscará o nome dos santos do livro da vida. Ou seja, essa possibilidade existe biblicamente falando, então, para que esse juízo investigativo para os santos?

3– Pioneiros da IASD não viam sentido nessa Doutrina

Tiago White, esposo de Ellen White, afirmou contra o juízo investigativo dizendo: "Não é necessário que a sentença final seja dada antes da primeira ressureição como alguns creem, para que os nomes dos santos sejam escritos no Céu, e Jesus, e os anjos certamente saberão como junta-los e leva-los para a nova Jerusalém. (A Word to the Little Flock, 1847, p. 24). Mas ele não foi o único, diversos pastores e eruditos adventistas têm recusado essa doutrina. Alguns tem se pronunciado, outros tem preferido guardar silêncio. Ou seja, não vemos um consenso entre os pioneiros e nem mesmo entre os pastores a respeito desta doutrina.

4 - O Juízo Investigativo é a mais clara e próxima descrição do Purgatório na Teologia Moderna

Embora não totalmente oficial, a Igreja Católica abandonou a pregação da crença no Purgatório. Mas e os adventistas com seu amedrontador e atemorizante juízo investigativo?

Numa conclusão óbvia, os adventistas que morrem crendo no “juízo investigativo” ficam com seus destinos em um verdadeiro impasse. Seus parentes sabem que seus pecados não foram cancelados, foram apenas perdoados. Angustiados, seus amigos adventistas não sabem se eles serão ou não salvos. Mas, finalmente chegará o dia em que o nome de seus amigos ou familiares passará pelo “juízo investigativo”. E após o resultado do juízo investigativo, alguns adventistas serão absolvidos e poderão aguardar no túmulo o dia em que irão para o céu. Outros, infelizmente não serão absolvidos, isto é, eles serão condenados no juízo investigativo e assim, irão para outro juízo, o juízo final, quando, após saberem que seus esforços foram em vão, eles irão para o tormento. Ou seja, a situação destes adventistas estava num verdadeiro purgatório.

5 – O Juízo Investigativos dos Vivos.

Alusivo ao 168 de doutrina do Juízo Investigativo
Pra quem é adventista a tempos, com certeza deve ter ouvido a expressão: “E se hoje estiver passando o seu caso em juízo!”. Acontece que de acordo com o juízo investigativo os vivos também serão julgados e isto traz sérias inconsistências lógicas a esta doutrina. Imaginemos dois adventistas que estão sendo julgados neste momento no juízo investigativo, o irmão A foi considerado salvo e o irmão B ímpio. Ora, o irmão A ainda viverá algum tempo até a volta de Jesus, ou seja, não importa o que ele faça ele já está salvo. Não importarão os pecados dele daqui pra frente, ele está livre pra fazer o que quiser e com certeza pecará. Em contrapartida o adventista B, não importa o que ele faça no sentido de arrepender-se, ele já está destinado a não herdar a vida eterna. Entenderam que existe um período da vida dos dois adventistas que já está predestinado? Ou seja, esta doutrina quebra o livre arbítrio da pessoa, não existe chance de arrependimento mais.

Se algum adventista está pensando que pode se arrepender no seu leito de morte, tire o cavalo da chuva, pois o seu destino pode estar selado já. Pode ser que a vida que vives hoje seja uma vida inútil no sentido de salvar-se, ou seja, estás perdido pois o teu destino já foi selado.

Alguns adventistas explicam levianamente argumentando que Jesus quando julga as pessoas ele olha para o final da vida, e o julgamento é baseado no final da vida desta pessoa. Então me respondam: Por que manter um registro dos atos das pessoas se Jesus pode olhar lá no final? Pra que julga-las antes quando em vida, se o julgamento pode ser feito no final da vida desta pessoa? Se o futuro existe onde estou salvo ou perdido, somos predestinados? Marionetes de uma guerrinha cósmica?

A conclusão é mais que óbvia, esta doutrina foi simplesmente para dar razão ou motivo para uma explicação de um erro cometido por Guilherme Miller. Em ordem cronológica, Guilherme Miller marcou a volta de Jesus, errou, logo surgiu um grupo (os adventistas) que não se conformou com isso, um membro deste grupo teve uma visão tanto quanto conveniente de que Miller havia errado e que se tratava na verdade de uma passagem do lugar santo para o santíssimo de Jesus no santuário celestial, surgiram perguntas a respeito do que Jesus estaria fazendo no lugar santíssimo e eis que surgiu a doutrina do juízo investigativo. Discordando do que a própria bíblia diz, esta doutrina vai contra o ensinamento de que os pecados são jogados nas profundezas do oceano. Esta doutrina além de tudo incita o medo nos seguidores desta igreja, pois você nunca sabe em qual dia será julgado, e o medo por sua vez domina as pessoas.


Estudar novamente a origem da igreja adventista que cominou nesta doutrina seguida até hoje, me abriu os olhos para enxergar o quão manipulado fui durante a minha vida inteira. Neste momento da minha vida eu e minha esposa nos sentíamos literalmente palhaços, enganados por uma igreja a qual havíamos dedicados boa parte da nossa vida. Sair desta seita foi-nos uma conclusão lógica e confortante.

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