33 - A Igreja Adventista e o Falso Juízo Investigativo
Continuando
o ultimo assunto abordado no último post, os adventistas assumiram o erro de
cálculo de Guilherme Miller, mas mudaram a explicação do acontecido em 22 de
outubro de 1844. Deste erro surgia a explicação que ao invés de Jesus ter
voltado ele estaria nesta data passando do lugar santo para o santíssimo no
santuário celestial. Logo vieram as perguntas sobre o que Jesus estaria fazendo
no lugar santíssimo e o porquê desta passagem de um lugar para o outro no
santuário. Vejamos um pouco sobre esta doutrina da igreja adventista do sétimo
dia.
A
igreja adventista crê que em 1844 ao Jesus passar do lugar santo para o
santíssimo do santuário celestial, teve início o juízo investigativo. O termo
investigativo refere-se ao examinar os registros, mantidos pelos anjos
celestiais, de todos os atos dos que professam ser filhos de Deus. O resultado
desta minuciosa investigação determinará quem estará qualificado para ir para o
Céu ou não. Esquematicamente o adventista crê: que todos serão julgados, que existe
um registro no Céu do que se passa na Terra, que existe a possibilidade de um
nome ser riscado do livro da vida e que os justos participarão do julgamento
final onde os ímpios serão julgados novamente. Uma pessoa que não gastar tempo
analisando esta doutrina pode ser facilmente convencida da validade desta
interpretação particular adventista, eu mesmo por muito tempo acreditei nesta
interpretação. Mas resolvi analisar novamente com um olhar mais cauteloso e descobri
muitas inconsistências absurdas nesta doutrina que é mantida até hoje pelos
adventistas. Vejamos alguns pontos desta doutrina:
1
- Não Há Biblicamente Registros de Pecados Perdoados no Céu.
A
doutrina adventista diz que "Todos aqueles que verdadeiramente se
arrependeram e pela fé reclamaram o sangue do sacrifício expiatório de Cristo,
terão assegurado o perdão. Quando seus nomes forem chamados a julgamento e
se constatar que eles estão revestidos pelo manto da justiça de
Cristo, seus pecados serão apagados e eles serão considerados dignos
da vida eterna." (Nisto Cremos, p. 418).
Já a bíblia nos diz em Hebreus 10: 14 a 17:
“Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo
santificados. E o Espírito Santo também no-lo testifica, porque depois de haver
dito: Este é o pacto que farei com eles depois daqueles dias, diz o
Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seu
entendimento; acrescenta: E não me lembrarei mais de seus pecados e de
suas iniquidades.” e em Miquéias 7:18 e 19 “Tornará a apiedar-se de nós;
sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas
profundezas do mar.”
Observe que de
acordo com os adventistas os fiéis somente terão seus pecados apagados quando
forem chamados a julgamento. Em qual verso bíblico os teólogos adventistas se
basearam para fazer tal afirmação? Não
se basearam em nenhum verso, apenas tomaram por base Ellen G. White. Se você,
adventista, duvida disso, então releia a doutrina (Nisto Cremos, p. 418). Deseja
você saber onde isso está fundamentado? Grande Conflito, 484: “... o sangue de
Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e
aceitação perante o Pai; contudo, ainda permaneciam seus pecados nos livros de
registro. Como no serviço típico havia uma expiação ao fim do ano,
semelhantemente, antes que se complete a obra de Cristo para redenção do homem,
há também uma expiação para tirar o pecado do santuário.” É Ellen White que crê que os “pecados
perdoados” continuam registrados nos livros do Céu. E perceba que ela se
referia aos “crentes arrependidos”, que haviam recebido o “perdão”. A bíblia indica
que os pecados perdoados são apagados dos registros. São lançados nas
profundezas como diz em Miquéias 7:18 e 19. Ou você acha que ‘lançá-los nas
profundezas do mar’, ‘não lembrar-se deles’ são apenas ‘forças de expressão’?
2 - Se
alguém “não for aprovado” no juízo investigativo, logo ele será um “ímpio” e
terá que passar por um “segundo” juízo.
Ao ser
reprovado no juízo investigativo o crente passa a ser um ímpio e passará pelo
abrangente juízo final, o que me leva a conclusão de que, em todo o tempo, na
onisciência, Deus já sabia que aquele crente era um ímpio e que no caso deste
professo crente, o melhor julgamento era mesmo o “juízo final”. Mas Deus o
deixou passar pelo juízo investigativo, pra que? Que tipo de Deus o juízo
investigativo pressupõe? Um Deus que reserva aos professos crentes um destino
pior que o dos ímpios: aqueles a quem Ellen White chama de ‘professo povo de
Deus’ são aqueles que tentaram ser cristãos e, como não conseguiram, deverão
passar por “dois” julgamentos, o juízo investigativo e o juízo final onde serão
aniquilados.
A bíblia nos
fala que Jesus disse: "... de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro
da vida; e confessarei o seu nome diante de Meu Pai, e diante de Seus
anjos." Apocalipse 3:5. Cristo disse que de maneira nenhuma riscará o nome
dos santos do livro da vida. Ou seja, essa possibilidade existe biblicamente
falando, então, para que esse juízo investigativo para os santos?
3–
Pioneiros da IASD não viam sentido nessa Doutrina
Tiago White,
esposo de Ellen White, afirmou contra o juízo investigativo dizendo: "Não
é necessário que a sentença final seja dada antes da primeira ressureição como
alguns creem, para que os nomes dos santos sejam escritos no Céu, e Jesus, e os
anjos certamente saberão como junta-los e leva-los para a nova Jerusalém. (A
Word to the Little Flock, 1847, p. 24). Mas ele não foi o único, diversos
pastores e eruditos adventistas têm recusado essa doutrina. Alguns tem se
pronunciado, outros tem preferido guardar silêncio. Ou seja, não vemos um
consenso entre os pioneiros e nem mesmo entre os pastores a respeito desta
doutrina.
4 - O Juízo
Investigativo é a mais clara e próxima descrição do Purgatório na Teologia
Moderna
Embora não
totalmente oficial, a Igreja Católica abandonou a pregação da crença no
Purgatório. Mas e os adventistas com seu amedrontador e atemorizante juízo
investigativo?
Numa conclusão
óbvia, os adventistas que morrem crendo no “juízo investigativo” ficam com seus
destinos em um verdadeiro impasse. Seus parentes sabem que seus pecados não
foram cancelados, foram apenas perdoados. Angustiados, seus amigos adventistas
não sabem se eles serão ou não salvos. Mas, finalmente chegará o dia em que o
nome de seus amigos ou familiares passará pelo “juízo investigativo”. E após o resultado
do juízo investigativo, alguns adventistas serão absolvidos e poderão aguardar
no túmulo o dia em que irão para o céu. Outros, infelizmente não serão
absolvidos, isto é, eles serão condenados no juízo investigativo e assim, irão
para outro juízo, o juízo final, quando, após saberem que seus esforços foram
em vão, eles irão para o tormento. Ou seja, a situação destes adventistas estava
num verdadeiro purgatório.
5 – O Juízo
Investigativos dos Vivos.
![]() |
| Alusivo ao 168 de doutrina do Juízo Investigativo |
Pra quem é
adventista a tempos, com certeza deve ter ouvido a expressão: “E se hoje
estiver passando o seu caso em juízo!”. Acontece que de acordo com o juízo
investigativo os vivos também serão julgados e isto traz sérias inconsistências
lógicas a esta doutrina. Imaginemos dois adventistas que estão sendo julgados
neste momento no juízo investigativo, o irmão A foi considerado salvo e o irmão
B ímpio. Ora, o irmão A ainda viverá algum tempo até a volta de Jesus, ou seja,
não importa o que ele faça ele já está salvo. Não importarão os pecados dele
daqui pra frente, ele está livre pra fazer o que quiser e com certeza pecará.
Em contrapartida o adventista B, não importa o que ele faça no sentido de
arrepender-se, ele já está destinado a não herdar a vida eterna. Entenderam que
existe um período da vida dos dois adventistas que já está predestinado? Ou
seja, esta doutrina quebra o livre arbítrio da pessoa, não existe chance de
arrependimento mais.
Se algum
adventista está pensando que pode se arrepender no seu leito de morte, tire o
cavalo da chuva, pois o seu destino pode estar selado já. Pode ser que a vida
que vives hoje seja uma vida inútil no sentido de salvar-se, ou seja, estás
perdido pois o teu destino já foi selado.
Alguns
adventistas explicam levianamente argumentando que Jesus quando julga as
pessoas ele olha para o final da vida, e o julgamento é baseado no final da
vida desta pessoa. Então me respondam: Por que manter um registro dos atos das
pessoas se Jesus pode olhar lá no final? Pra que julga-las antes quando em
vida, se o julgamento pode ser feito no final da vida desta pessoa? Se o futuro
existe onde estou salvo ou perdido, somos predestinados? Marionetes de uma
guerrinha cósmica?
A conclusão é
mais que óbvia, esta doutrina foi simplesmente para dar razão ou motivo para
uma explicação de um erro cometido por Guilherme Miller. Em ordem cronológica,
Guilherme Miller marcou a volta de Jesus, errou, logo surgiu um grupo (os
adventistas) que não se conformou com isso, um membro deste grupo teve uma
visão tanto quanto conveniente de que Miller havia errado e que se tratava na
verdade de uma passagem do lugar santo para o santíssimo de Jesus no santuário
celestial, surgiram perguntas a respeito do que Jesus estaria fazendo no lugar
santíssimo e eis que surgiu a doutrina do juízo investigativo. Discordando do
que a própria bíblia diz, esta doutrina vai contra o ensinamento de que os
pecados são jogados nas profundezas do oceano. Esta doutrina além de tudo
incita o medo nos seguidores desta igreja, pois você nunca sabe em qual dia será
julgado, e o medo por sua vez domina as pessoas.
Estudar
novamente a origem da igreja adventista que cominou nesta doutrina seguida até
hoje, me abriu os olhos para enxergar o quão manipulado fui durante a minha
vida inteira. Neste momento da minha vida eu e minha esposa nos sentíamos
literalmente palhaços, enganados por uma igreja a qual havíamos dedicados boa
parte da nossa vida. Sair desta seita foi-nos uma conclusão lógica e
confortante.

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