32 - A Igreja Adventista e a Sua Falsa Origem Profética
Depois
de ter estudado sobre algumas posições, doutrinas, liturgias e profecias da
igreja adventista, algo me intrigava. Como todo adventista deveria saber, eu
conhecia muito bem a origem da igreja a qual frequentava, sabia da profecia que
havia se cumprido para o surgimento da mesma e faltava estuda-la novamente com
um olhar mais minucioso, já que pra mim estava mais que comprovado que uma das
fundadoras da IASD (Igreja Adventista do Sétimo Dia), Ellen White, havia
plagiado, copiado e mentido com relação a profecias. Então foi exatamente isso
que fiz e vou compartilhar com meus leitores.
Guilherme
Miller usou o texto de Daniel 8:14 que nos diz que, “E ele me disse: Até duas
mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.” Estas tardes e
manhãs ele contou como se fossem dias, baseado em Genesis 1:5, e finalmente
transformou estes dias em anos, baseando-se de que um dia profético representa
um ano (Números 14:34). Surgia então, que o santuário seria purificado em 2300
anos. Restava saber quando que se iniciaria a contagem e aplicarmos 2300 anos
para a volta de Jesus (a purificação do santuário, representando a Terra). Em Daniel 9:25 fala sobre 7 mais 62 semanas,
somando 69 semanas da ordem para se restaurar Jerusalém até o ungido, no caso
Jesus. Estas semanas somam 483 dias, que transformando são 483 anos. Em Esdras
7: 8, 13-14, fala sobre a ordem de restaurar Jerusalém, e este período foi no
anos de 457 ac. Temos então 2300 anos menos 457 e chegamos a 1843 da nossa era,
como não houve contagem no ano “0” devemos acrescentar um ano, logo chegamos ao
ano de 1844 o qual Guilherme Miller calculou para a volta de Jesus.
Mas
existem falhas na interpretação no princípio de dia ano usado por Miller e
sustentado pelos adventistas até hoje. Um dos principais erros é de que se
formos considerar que um dia é igual a um ano em profecia, logo todas as
profecias que falam em dias deveríamos interpretar como anos, mas não é isso
que acontece.
Em Gênesis fala sobre a profecia do nascimento de Isaque, onde Abraão com 99 anos de idade
recebe uma profecia de Deus dizendo que sua esposa Sara teria um filho depois
de passado um ano. Se somarmos os dias de um ano e transformarmos em anos,
seriam 365 anos a mais, logo Abraão teria mais de 400 anos na ocasião do
nascimento de Isaque. Contrariando o cálculo, a própria bíblia informa que
Isaque nasceu quando Abraão tinha 100 anos, ou seja, um ano depois da profecia.
Jonas
recebeu uma profecia de Deus que a cidade de Nínive seria destruída em 40 dias
ou 40 anos? Segundo o relato bíblico os moradores daquela cidade ficaram
aterrorizados e imediatamente deram sinais de arrependimento. Se a profecia
fosse pra 40 anos como sugere a interpretação de Miller, teriam os habitantes
de Nínive tanta pressa assim? Claro que aqui se trata de mais uma profecia onde
dias não representavam anos. Portanto, baseado nestas profecias e outros
exemplos, não podemos relacionar e estipular uma regra de que um dia profético
é um ano ou vice e versa. A bíblia só fala sobre esta relação em Números 14:34
e Ezequiel 4:6-7, mas nada fala desta relação em Daniel 8. Esta interpretação
faz parte de uma montagem para adequar uma profecia para se cumprir no tempo em
que Miller estava vivendo.
Outro aspecto mas
não menos importante e que o calendário que usamos hoje, não é o mesmo usado
naquela época. O cálculo feito por Miller foi baseado no calendário gregoriano,
o que usamos hoje (457aC + 2300 = 1844). Acontece que o calendário já mudou muitas
vezes, tivemos anos com 304 dias, outros com 355, ou seja, se Miller naquela
época voltasse 2300 anos solares (365,25 dias) não voltaria para o ano 457aC.
Do mesmo modo se usássemos o calendário vigente naquela época somando 2300 anos
ao ano 457aC não chegaríamos a 1844 e sim numa data bem anterior a esta.
Mas então por qual
motivo os adventistas insistiram neste erro de interpretação e contagem dos
anos? Fica claro que a insistência neste assunto foi para justificar o
surgimento do movimento adventista depois do desapontamento por ocasião da não volta
de Jesus em 1844. Muitas pessoas abandonaram o movimento millerista, mas outra
se preocuparam em tentar justificar o erro, os adventistas. Já não bastasse a
vergonha por enganar muitos seguidores, agora tentavam se justificar e se
apossando dos erros cometidos por Guilherme Miller procuravam uma explicação
para o que havia ocorrido.
Os adventistas nada
conformados com o erro encontraram uma engenhosa saída para transformar o erro
num acerto. Um discípulo de Miller, Hiram Edson, enquanto passava por um
milharal teve uma “visão” onde Cristo passava do lugar santo para o santíssimo.
Era exatamente isso que aquele grupo precisava! Uma visão conveniente para
explicar no que eles haviam errado. Surgia então a doutrina do santuário,
depois aprimorada pelos adventistas, como uma justificativa pelo erro cometido
por Miller.
Concluindo, não
houve nenhuma profecia que apontasse para o surgimento de um povo escolhido ou
remanescente como os adventistas gostam de se auto intitular. O que houve foi
um erro de interpretação e contagem de tempo de uma profecia de Daniel. Fica
evidente que este assunto não é abordado pelos próprios adventistas de uma
maneira idônea, pois fazer isso é a mesma coisa que admitir o erro pela segunda
vez. Os pioneiros desta igreja não tinham ideia das proporções que a IASD
tomaria, eles simplesmente buscavam uma desculpa para seus erros.
Cada vez mais, a cada assunto estudado novamente, eu tinha
mais certeza de que a igreja a qual eu havia dedicado boa parte da minha vida
havia manipulado o meu pensamento. A pior manipulação de ideias é aquela que
você não priva as pessoas de pensar, mas apresenta um estudo manipulado como se
fosse a verdade absoluta para aquela questão.

ResponderExcluirOi Marcos,
De minha parte, só consigo imaginar três possíveis hipóteses como explicação para o fenômeno das supostas "profecias cumpridas":
1. Ou as pessoas que afirmam seu cumprimento hoje em dia estão simplesmente manipulando fatos e datas para se encaixarem nas suas próprias interpretações, e com isso darem suporte às suas próprias doutrinas;
2. Ou tratam-se meramente de "vaticinia post eventum", manobras propositais que consistiram em descrever-se eventos já ocorridos no passado como se ainda estivessem por vir - e com isso, quem sabe, enganar algumas gerações futuras e/ou ignorantes com a falsa sensação de "profecia cumprida";
3. Ou existe, de fato, algo sobrenatural por trás de tudo isso.
E você, o que me diz? Qual sua opinião pessoal sobre as profecias?
Um abraço.
Na minha opinião uma mescla da 1 e 2... mesclado com um pouco de ignorância do povo da época e hipocrisia em manter-se algo assim até os dias de hoje.
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