domingo, 17 de novembro de 2013


32 - A Igreja Adventista e a Sua Falsa Origem Profética  

     
     Depois de ter estudado sobre algumas posições, doutrinas, liturgias e profecias da igreja adventista, algo me intrigava. Como todo adventista deveria saber, eu conhecia muito bem a origem da igreja a qual frequentava, sabia da profecia que havia se cumprido para o surgimento da mesma e faltava estuda-la novamente com um olhar mais minucioso, já que pra mim estava mais que comprovado que uma das fundadoras da IASD (Igreja Adventista do Sétimo Dia), Ellen White, havia plagiado, copiado e mentido com relação a profecias. Então foi exatamente isso que fiz e vou compartilhar com meus leitores.

   
 A igreja adventista veio de um movimento que começou no século XIX antes do ano de 1844. Basicamente um fazendeiro chamado Guilherme Miller, que veio da igreja batista americana, junto com outras pessoas começaram a pregar que Jesus voltaria a terra no dia 22 de Outubro de 1844. Esta data era baseada na profecia de Daniel 8:14 e chamavam-se “milleristas”, devido ao sobrenome do seu principal pregador. Cerca de 100 mil pessoas esperavam a volta de Jesus para esta data e como todos sabemos Jesus não voltou. Houve então um grande desapontamento, muitas pessoas venderam tudo o que tinham e agora tinham que conviver com isto. Um grupo persistiu acreditando nos cálculos de Miller só que agora com uma nova interpretação baseada numa visão de que Jesus estava passando do lugar santo para o santíssimo no santuário celestial. Dentre este grupo estava Ellen White, que por sua vez contribuiu para a formação deste novo grupo, que em 1860 escolheram o nome de Adventistas do Sétimo Dia.

     Guilherme Miller usou o texto de Daniel 8:14 que nos diz que, “E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.” Estas tardes e manhãs ele contou como se fossem dias, baseado em Genesis 1:5, e finalmente transformou estes dias em anos, baseando-se de que um dia profético representa um ano (Números 14:34). Surgia então, que o santuário seria purificado em 2300 anos. Restava saber quando que se iniciaria a contagem e aplicarmos 2300 anos para a volta de Jesus (a purificação do santuário, representando a Terra).  Em Daniel 9:25 fala sobre 7 mais 62 semanas, somando 69 semanas da ordem para se restaurar Jerusalém até o ungido, no caso Jesus. Estas semanas somam 483 dias, que transformando são 483 anos. Em Esdras 7: 8, 13-14, fala sobre a ordem de restaurar Jerusalém, e este período foi no anos de 457 ac. Temos então 2300 anos menos 457 e chegamos a 1843 da nossa era, como não houve contagem no ano “0” devemos acrescentar um ano, logo chegamos ao ano de 1844 o qual Guilherme Miller calculou para a volta de Jesus.

     Mas existem falhas na interpretação no princípio de dia ano usado por Miller e sustentado pelos adventistas até hoje. Um dos principais erros é de que se formos considerar que um dia é igual a um ano em profecia, logo todas as profecias que falam em dias deveríamos interpretar como anos, mas não é isso que acontece.

     Em Gênesis fala sobre a profecia do nascimento de Isaque, onde Abraão com 99 anos de idade recebe uma profecia de Deus dizendo que sua esposa Sara teria um filho depois de passado um ano. Se somarmos os dias de um ano e transformarmos em anos, seriam 365 anos a mais, logo Abraão teria mais de 400 anos na ocasião do nascimento de Isaque. Contrariando o cálculo, a própria bíblia informa que Isaque nasceu quando Abraão tinha 100 anos, ou seja, um ano depois da profecia.

     Jonas recebeu uma profecia de Deus que a cidade de Nínive seria destruída em 40 dias ou 40 anos? Segundo o relato bíblico os moradores daquela cidade ficaram aterrorizados e imediatamente deram sinais de arrependimento. Se a profecia fosse pra 40 anos como sugere a interpretação de Miller, teriam os habitantes de Nínive tanta pressa assim? Claro que aqui se trata de mais uma profecia onde dias não representavam anos. Portanto, baseado nestas profecias e outros exemplos, não podemos relacionar e estipular uma regra de que um dia profético é um ano ou vice e versa. A bíblia só fala sobre esta relação em Números 14:34 e Ezequiel 4:6-7, mas nada fala desta relação em Daniel 8. Esta interpretação faz parte de uma montagem para adequar uma profecia para se cumprir no tempo em que Miller estava vivendo.

     Outro aspecto mas não menos importante e que o calendário que usamos hoje, não é o mesmo usado naquela época. O cálculo feito por Miller foi baseado no calendário gregoriano, o que usamos hoje (457aC + 2300 = 1844).  Acontece que o calendário já mudou muitas vezes, tivemos anos com 304 dias, outros com 355, ou seja, se Miller naquela época voltasse 2300 anos solares (365,25 dias) não voltaria para o ano 457aC. Do mesmo modo se usássemos o calendário vigente naquela época somando 2300 anos ao ano 457aC não chegaríamos a 1844 e sim numa data bem anterior a esta.

     Mas então por qual motivo os adventistas insistiram neste erro de interpretação e contagem dos anos? Fica claro que a insistência neste assunto foi para justificar o surgimento do movimento adventista depois do desapontamento por ocasião da não volta de Jesus em 1844. Muitas pessoas abandonaram o movimento millerista, mas outra se preocuparam em tentar justificar o erro, os adventistas. Já não bastasse a vergonha por enganar muitos seguidores, agora tentavam se justificar e se apossando dos erros cometidos por Guilherme Miller procuravam uma explicação para o que havia ocorrido.

     Os adventistas nada conformados com o erro encontraram uma engenhosa saída para transformar o erro num acerto. Um discípulo de Miller, Hiram Edson, enquanto passava por um milharal teve uma “visão” onde Cristo passava do lugar santo para o santíssimo. Era exatamente isso que aquele grupo precisava! Uma visão conveniente para explicar no que eles haviam errado. Surgia então a doutrina do santuário, depois aprimorada pelos adventistas, como uma justificativa pelo erro cometido por Miller.

     Concluindo, não houve nenhuma profecia que apontasse para o surgimento de um povo escolhido ou remanescente como os adventistas gostam de se auto intitular. O que houve foi um erro de interpretação e contagem de tempo de uma profecia de Daniel. Fica evidente que este assunto não é abordado pelos próprios adventistas de uma maneira idônea, pois fazer isso é a mesma coisa que admitir o erro pela segunda vez. Os pioneiros desta igreja não tinham ideia das proporções que a IASD tomaria, eles simplesmente buscavam uma desculpa para seus erros.

Cada vez mais, a cada assunto estudado novamente, eu tinha mais certeza de que a igreja a qual eu havia dedicado boa parte da minha vida havia manipulado o meu pensamento. A pior manipulação de ideias é aquela que você não priva as pessoas de pensar, mas apresenta um estudo manipulado como se fosse a verdade absoluta para aquela questão.

2 comentários:


  1. Oi Marcos,

    De minha parte, só consigo imaginar três possíveis hipóteses como explicação para o fenômeno das supostas "profecias cumpridas":

    1. Ou as pessoas que afirmam seu cumprimento hoje em dia estão simplesmente manipulando fatos e datas para se encaixarem nas suas próprias interpretações, e com isso darem suporte às suas próprias doutrinas;

    2. Ou tratam-se meramente de "vaticinia post eventum", manobras propositais que consistiram em descrever-se eventos já ocorridos no passado como se ainda estivessem por vir - e com isso, quem sabe, enganar algumas gerações futuras e/ou ignorantes com a falsa sensação de "profecia cumprida";

    3. Ou existe, de fato, algo sobrenatural por trás de tudo isso.

    E você, o que me diz? Qual sua opinião pessoal sobre as profecias?

    Um abraço.

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    1. Na minha opinião uma mescla da 1 e 2... mesclado com um pouco de ignorância do povo da época e hipocrisia em manter-se algo assim até os dias de hoje.

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