sábado, 7 de dezembro de 2013


34 - A Igreja Adventista Minhas Conclusões
             

                Cresci e passei 30 anos da minha vida nesta igreja, a igreja adventista do sétimo dia, mas foi preciso me afastar das atividades desempenhadas na IASD para conseguir estudar esta igreja de uma ótica que jamais havia estudado. Todos os assuntos que abordei aqui já haviam sido estudados por mim enquanto estava na igreja, mas não conseguia enxerga-los com o olhar de quem olha de fora da instituição, simplesmente havia um bloqueio da minha mente e acabava acatando o que já sabia como verdade. Aqui vale um adendo, a pior mentira não é quando mentem diretamente pra você, mas sim quando desenvolvem um estudo misturando a mentira com a verdade. A mentira misturada na verdade é imperceptível pra quem está no meio, no caso na igreja. A pessoa simplesmente foca nas verdades e não percebe que isso é parte de um todo, de uma filosofia que se fores analisar a fundo é mentirosa.

                Nas postagens anteriores abordei assuntos triviais e costumes, até um tanto absurdos para quem não frequentou uma igreja adventista, como o cinema, o uso de joias, tatuagens, etc. Abordei também assuntos doutrinários como: o consumo da carne de porco, dízimo e sexo antes do casamento. E por fim falei do que define a igreja adventista, que é a guarda do sábado, sua origem (daí o nome adventistas – que aguardam o advento de Jesus), e a falsa doutrina do juízo investigativo, doutrina esta que a diferencia de outras denominações cristãs. Em todos estes assuntos, apresentei a visão adventista e os erros não falados aos membros desta igreja. Nestes estudos apresentados tentei sintetizar ao máximo o que estudei sobre a IASD sempre no intuito de não ficar maçante ao leitor.

               
     Não foi fácil estudar estes assuntos, pois a cada assunto me decepcionava e me sentia enganado por uma igreja que se apresenta como a única verdade, o povo escolhido de Deus, a menina dos olhos de Deus. Eu pensava assim, eu estive dentre eles, eu tinha uma falsa certeza de que tudo o que estudava estava certo, muitas vezes debati com pessoas argumentando e hoje vi quão ridículo fui. Mas não adiantava mais, uma decisão deveria ser tomada, não conseguia mais frequentar esta instituição. Eu e minha esposa conversamos sobre o que fazer, e decidimos que iriamos pedir o desligamento formal da igreja adventista, não queríamos compactuar com esta enganação. Uma igreja que tem a sua principal doutrina, a que diferencia dos outros cristãos, baseado numa profeta que nunca acertou nada; e o pior ainda por cima mente para seus membros que esta doutrina é bíblica e que não tem a ver com Ellen White. Não poderíamos continuar numa igreja que mantém o orgulho em dizer que está “na mira de verdade”, quando na verdade manipula seus membros com respostas presunçosas por um canal de televisão subestimando a inteligência destes com falácias e silogismos baratos. Não poderíamos mais continuar numa igreja que proíbe o uso de joias, mas ostenta verdadeiros palácios com piso de mármore, enquanto outras igrejas caem aos pedaços. Não poderíamos continuar numa igreja que administra tão mal o dizimo que a desigualdade entre as suas igrejas é exatamente igual a desigualdade do nosso Brasil, onde está o cristianismo? Como permaneceríamos numa igreja a qual se importa com um legalismo do velho testamento somente para dar credito a sua profeta, mas despreza outros ensinamentos da própria bíblia? Um povo que diz seguir a bíblia do início ao fim, mas na prática escolhe o que melhor lhes convém para seguir! E por fim, como poderíamos permanecer numa igreja que teve a sua origem baseada num erro de cálculo e pra maquiar isto criou uma doutrina sem base bíblica pra justificar um erro de seus precursores.

                A conclusão era óbvia, eu, minha esposa e meu filho estávamos nos desligando desta igreja, lembro que decidimos seguir os ensinamentos de Jesus, mas não seguirmos a nenhuma religião. E por um bom tempo foi isso que fizemos, enquanto isso continuava a estudar, o meu próximo desafio era estudar e ler a bíblia novamente. Sabia que seria cansativo, mas neste momento tinha ganhado um parceiro de estudo, o meu amigo e irmão Edu Santos. O Edu estava afastado da igreja, mas queria voltar, só que desta vez queria entender a bíblia e estuda-la novamente. Foi neste momento que começamos a estudar novamente a bíblia, desde o antigo até o novo testamento, só que agora estudando de verdade e o resultado destes estudos falarei nas próximas postagens.

                Nunca mais apareci na igreja adventista depois de pedir o desligamento. Nunca apareceu nenhum membro desta igreja aqui para querer entender, ao contrário, com o desligamento da igreja vi que tinha mais conhecidos e menos amigos. Por alguma razão, por medo, por falsidade, por falta de empatia com as pessoas, todo o nosso esforço e tempo gasto com esta igreja não se resumiu a uma visita daqueles que tomaram o nosso precioso tempo. Ficou somente o sentimento de pena das pessoas que continuam nesta situação, pois não penso que elas não tenham seus questionamentos, mas por medo ou comodidade se mantem na posição a que estão.

5 comentários:

  1. Oi Marcos, tudo beleza?

    Sou adventista, e também estou atravessando a fase de dúvidas e questionamentos em relação à religião (não apenas a adventista, mas todas elas) que você manifestou aqui em seu blog.

    Gostaria de bater um papo contigo sobre estas questões (se você estiver a fim, é claro), porém antes gostaria que me esclarecesse apenas o seguinte: O título do seu blog sugere que você agora é ateu - isto é, aquele sujeito que nega a existência de deus, ou algo do gênero.

    É isso mesmo, ou me equivoquei?

    Um forte abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Marcus, obrigado pelo interesse... Sim hoje sou ateu, e no decorrer das minhas postagens vou explicar como isso aconteceu. Sobre a igreja adventista sinta-se a vontade de perguntar ou ponderar o que quiser... um abraço

      Excluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Oi Marcos,

    Grato pela atenção e pelo carinho.

    Pois é cara, eu já andei lendo, senão todas, ao menos a maioria das suas postagens aqui até agora, e acabei me identificando bastante com a sua história em diversos pontos - inclusive, na questão do envolvimento com a música e etc. e tal.

    Sou adventista por tradição familiar. Desde o berço, fui educado dentro dos mais "elevados" princípios religiosos, ensinado a honrar e amar o deus das escrituras acima de tudo, guardando os seus mandamentos, tendo a fé no testemunho de Jesus, e tudo isso com o qual você também já está familiarizado...

    Entretanto, no fundo do meu coração, eu nunca senti nenhuma atuação que eu conseguisse perceber ou identificar como advindas de uma fonte externa divina ou sobrenatural. Absolutamente nada, sabe? Nada dessas vozes na cabeça, sentimentos extraordinários, paz divinal, milagres e revelações... enfim, destas coisas que todas as pessoas de fé enchem a boca para dizer que sentem o tempo todo. Nenhuma única pista ou indicação especial que me permitisse estabelecer objetivamente alguma distinção entre aquilo que talvez fosse "a voz do Espírito Santo" do que fosse a voz de minha própria consciência.

    Quer dizer, quando leio a Bíblia, até vejo algumas coisas bacanas que me servem como belas lições para a vida (principalmente no livro de Provérbios e nos outros livros de sabedoria), mas também vejo outras coisas horríveis (como a história do dilúvio ou a condenação dos ímpios no lago de fogo, por exemplo) que me parecem absurdos lógicos e morais tremendos. Para esses últimos, as tradicionais explicações de que "deus é amor, mas também é justiça", sinceramente, soam aos meus ouvidos como desculpas esfarrapadas para justificar-se o injustificável.

    Quando oro, sinto-me como um idiota falando com as paredes porque tenho perfeita consciência de que, se eu não "mexer o traseiro" para correr atrás das coisas, elas não vão cair do céu simplesmente porque eu me ajoelhei e fiz uma oração.

    Quando vou aos cultos, por vezes fica insuportável notar a quantidade de mentiras, asneiras e aberrações ditas do púlpito durante as pregações, por pessoas que se acham sábias, "consagradas" e ligadas a deus; mas que, no fundo, não passam de ignorantes a falar do que não fazem a menor ideia.

    Quando ouço um "pastorzinho de merda" desses que faz uso de textos bíblicos distorcidos para associar preguiça à depressão (minha esposa é depressiva), por exemplo, muitas vezes, a vontade que eu tenho é a de pular no pescoço do infeliz fulano para esganá-lo. Em ocasiões assim, penso nas palavras proferidas por Jesus em João 16:13 e em quão distantes e alienadas tais pessoas estão da realidade que as cerca - e ai concluo que das duas, uma: Ou esse "espírito que conduz à toda verdade" está fazendo um péssimo trabalho na mente de tais pessoas, ou então talvez ele não deva existir mesmo...

    Em suma, sei que você vai achá-la meio patética, mas esta tem sido minha sorte de "experência com deus" até o momento...

    Só que o meu caso é um pouco mais complicado do que o seu porque a minha mulher ainda possui uma mentalidade muito religiosa, crente e fervorosa na igreja do que a minha. Sinto em meu coração que se, logo de cara, eu "jogar a real" com ela, e expressar todas as dúvidas que tenho em relação a deus, à bíblia, e ao espírito da profecia, ela vai ficar muito chocada, vai se ofender e se decepcionar, e aí as coisas tenderão a ficar bastante complicadas...

    Mesmo assim, aos pouquinhos, tenho tentado conversar com ela pelo menos superficialmente sobre algumas dessas coisas. Espero que, com o tempo, ela me compreenda.

    Bom, por enquanto é isso amigão! Vou esperar para acompanhar o restante da sua história; e aí, quem sabe, a gente possa trocar mais algumas ideias a esse respeito.

    Um abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Com certeza Marcus, podemos sim trocar ideias a hora que quiser... algumas das questões levantadas por ti, vou abordar nos próximos capítulos.
      Abraço

      Excluir