segunda-feira, 13 de janeiro de 2014


37 - Desconversão – Como Funciona a Fé

                
     Você com certeza deve ter ouvido que a fé é um dom de Deus e que para crer em Deus é preciso ter fé. Este pensamento é uma meia verdade pois realmente para crer em Deus é preciso fé, mas fé não é um dom de Deus, até porque isto vai totalmente contra o tal livre arbítrio dado por ele. Para ser fé deve ser escolhida ou experimentada, para exemplificar, analisemos o seguinte aspecto:

                Se Deus dá a fé como presente, um dom, para alguns mas pra outros não, e este é um pré-requisito para crer em Deus, logo Deus escolhe quem vai ou não acreditar nele e isto desconstitui totalmente o livre arbítrio. Antes que você diga que todos temos fé e que precisamos de fé para viver, já corrijo aqui que existe uma enorme diferença entre acreditar ou crer e ter fé.  Semanticamente acreditar e crer são sinônimos, mas ter fé está no âmbito espiritual e envolve crer em algo sem sombra de dúvida, sem provas, ainda que as evidências sejam contrárias. Já acreditar faz parte da nossa vida, é simplesmente um mecanismo de defesa utilizado em momentos que precisamos tirar forças de onde não temos, ou que precisamos melhorar a autoestima, ou estamos passando por problemas sem solução, o acreditar é um mecanismo de defesa que usamos para enfrentar os reveses do dia a dia.

                Analisando friamente, a fé em Deus é adquirida, pois é um conjunto de outras pequenas crenças que formam uma crença maior. Estas pequenas crenças são diferentes de pessoa para pessoa e são adquiridas nas diversas fases da vida e do desenvolvimento dos seres humanos. Estas são influenciadas por diversos aspectos como: sociedade, família, personalidade, etc. Caso uma destas crenças seja atacada, você não perderá a fé em Deus, pois as outras crenças que formam este conjunto continuam em pé. Em contrapartida a fé em Deus acaba quando um número considerável de crenças que sustentam esta fé ou todas elas são derrubadas.

                Eu com certeza não era diferente disso, minha fé em Deus era baseada em diversas outras crenças, que eram: argumentos lógicos, orações, moralidade, a criação de Deus, a bíblia, testemunho de outros cristãos e finalmente e o mais importante, o relacionamento pessoal com Deus.

Os argumentos lógicos geralmente são argumentos de outras pessoas usando a ciência, ou a história, ou arqueologia para dar um sentido lógico e verdadeiro aquilo que crê. Na igreja a qual frequentava haviam bons argumentos neste sentido, muitas vezes fui convencido de minhas dúvidas ao ver o professor Rodrigo Silva explanando um assunto, ou por vezes outros pesquisadores e especialistas sanavam as minhas dúvidas com ótimos argumentos que para mim eram científicos até então.

As orações proviam uma base para a crença em Deus através da ilusão das preces atendidas. Isso fortalecia minha ligação com um ser superior, um ser que me cuidava e me guiava nas decisões que tomava, um verdadeiro pai e conselheiro.

A moralidade era um fator predominante, pois para mim e para todos os cristãos, sem Deus não há moralidade. Quanto mais longe de Deus pior nós somos e quanto mais perto de Deus melhor ficamos. Deus era pra mim o máximo da bondade, era o amor no seu estado mais puro e isto era uma razão forte para crer em Deus, pois se o amor existe logo Deus existe também.

A beleza da criação era uma prova viva das digitais de um criador, tanto no universo quanto a vida por si só. A complexidade da nossa realidade era um testemunho de que Deus existia e era real.

A bíblia era vista por mim como a palavra de Deus, inspirada por Deus, como poderia um livro ser tão completo, tão magnifico, histórico, profético, filosófico e tão interligado ao mesmo tempo? Somente algo inspirado por uma mente superior a nossa poderia ter inspirado este livro, logo Deus era real.

O testemunho de outros cristãos era fundamental para alimentar a minha crença em Deus, pois enquanto não acontecia nada comigo era notável a presença de Deus na vida de outras pessoas, os livrando de acidentes, os curando de doenças, derramando as suas bênçãos sobre eles, entre outras coisas. Como poderiam mais de dois bilhões de pessoas estarem erradas?

Finalmente, o relacionamento pessoal com Deus e as minhas experiências pessoais com ele. Como era possível não acreditar em Deus depois de sentir que se comunicou diretamente com ele em pessoa? Como duvidar de Deus se muitas vezes sentia a sua presença quando cantava em louvor a ele?

Todas estas crenças formavam uma crença maior que era a minha fé em Deus. Uma a uma foram caindo e quero compartilhar com vocês os motivos e as razões de ter acontecido. Como falei na postagem anterior, vou começar pela bíblia, a qual dividi em partes, a criação, dilúvio, Moisés, Israel, histórias de alguns personagens, Jesus, evangelhos, Paulo, profecias e um pouco de história da bíblia.

Por fim, acreditar ou crer é inerente ao ser humano como defesa, mas crer em Deus é um conjunto de outras crenças que ficam tão enraizadas que muitas vezes não sabemos dizer o porquê de crermos em Deus, simplesmente dizemos que temos fé. 

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