segunda-feira, 20 de janeiro de 2014



38 - Bíblia - A História da Criação - Introdução





     Os primeiros capítulos da bíblia, no livro de Genesis, descrevem a história da criação onde Deus com sua onipotência cria todo o universo e toda a natureza através de seu próprio poder. Durante milênios as pessoas ocidentais acreditaram que as palavras descritas ali eram a mais pura verdade. Ninguém duvidava ou questionava a história da criação descrita no início do livro de Genesis até que esta história começou a gerar conflito com a investigação científica que crescia com o passar dos anos. Com o passar dos anos a história da criação foi substituída, pouco a pouco, pelas descobertas científicas trazidas por pessoas que ao decorrer da história da humanidade não se contentaram com respostas prontas e queriam entender como as coisas funcionavam ou até mesmo queriam comprovar se os escritos eram realmente verdadeiros.

     Hoje, apesar de inúmeros avanços científicos ainda há aqueles que acham que a história descrita em Gênesis é literal. Estes acreditam que todo o universo e tudo o que conhecemos foi criado literalmente em seis dias. No entanto há outros que tentam adaptar os avanços da ciência fazendo um paralelo com o que leram na bíblia. Ambos estão corretos? Ou não querem simplesmente admitir o obvio? Quem está com a razão, ciência moderna ou a bíblia? Ou ambas estão com a razão?

     As religiões que leem o gênesis e o interpretam literalmente não tem outra saída senão o conflito com a ciência moderna. Ou seja, quando Deus disse: “haja luz”, a luz teria se formado instantaneamente. Quando Deus criou os animais, eles foram criados instantaneamente cada um conforme a sua espécie. Este tipo de pensamento é conflitante com a ciência moderna. Mas por outro lado há aqueles que defendem que Deus quanto fez separação entre as águas de baixo e as de cima, Deus estava criando a nossa galáxia. Ou quando a bíblia relata Deus criando os animais dos mares, ela está relatando na verdade a explosão do cambriano, um evento que cobre 70 milhões de anos na evolução.

     Criacionista que creem numa versão literal da criação bíblica, são os mais comuns entre o meio cristão e este posicionamento é o mais defendido pelas religiões cristãs. O livro de Genesis para estas pessoas foi diretamente inspirado por Deus, cada palavra foi colocada na bíblia com a intenção direta de Deus. Logo se Deus quem o inspirou não podem haver erros e o relato de gênesis deve ser 100% correto cientificamente e historicamente falando. Este tipo de cristão pensa que se há algum desacordo entre ciência e religião, logo o erro deve estar na ciência.

     O outro grupo de criacionistas toma a postura de que se há um desacordo entre a ciência e a bíblia, logo não há erro nem na ciência nem tampouco na bíblia. O que há é um erro de interpretação da bíblia. Desta maneira praticamente qualquer desacordo com a bíblia é adaptado a maneira de se encaixar com as descobertas cientificas, o que faz com que a bíblia esteja sempre certa.

     Nas próximas postagens vou colocar os erros de quem interpreta literalmente a bíblia fazendo um comparativo com o que a ciência sabe ou descobriu até os dias de hoje. Vou listar as evidencias que nos dizem hoje que o relato de gênesis não pode ter sido literal. E se interpretarmos o livro de Genesis livremente, adaptando a ciência como alguns cristãos o fazem, veremos se as mais comuns adaptações vão de encontro a todas as áreas da ciência, como a cosmologia, geologia, paleontologia e biologia.

2 comentários:

  1. Pois é, chará!

    Até não muito tempo atrás, era um motivo de muito orgulho e alegria ser um criacionista convicto, pois o criacionismo bíblico cristão fazia todo o sentido do mundo para mim. Doce ilusão!

    Tal situação perdurou por um bom tempo até que... bem, até que comecei a conhecer melhor os assim-chamados "cientistas criacionistas" com sua apologética suja e desonesta, por vezes repleta de falácias de toda sorte (tais como apelo à ignorância, falsas dicotomias, uso abundante de espantalhos, ad hominens, e assim por diante). E tudo isso para quê? No único intuito de conciliarem a narrativa bíblica com a ciência - a qualquer custo, é claro.

    Perceber tais atitudes vindas de pessoas que se dizem cristãs foi uma experiência super decepcionante. O baque foi grande, confesso que a "ficha" demorou um pouquinho para cair. Felizmente, porém, ela caiu...

    O pior de tudo é que nenhum dos argumentos criacionistas empregados para contestar e negar a evolução faz qualquer sentido lógico ou racional. Quando dizem, por exemplo, que um deus misericordioso não permitiria que os animais sofressem num longo processo de acerto, erro e luta pela sobrevivência, antes que o homem finalmente aparecesse sobre a face da Terra, eles estão simplesmente esquecendo-se do fato que é exatamente esse o quadro que presencia-se hoje na natureza; e que, segundo eles próprios, é exatamente isso que vem ocorrendo já por vários milhares de anos.

    Ora, sejamos francos: Para um bicho que vive apenas alguns poucos anos ou décadas e mal tem consciência de sua própria existência, que diferença faz se este sofrimento tem persistido por milhares ou por bilhões de anos? Absolutamente nenhuma! Logo, se deus é mau e impiedoso ao permitir a primeira situação, não vejo como não sê-lo igualmente ao permitir a segunda.

    Aliás, não dá mesmo pra se falar em sofrimento sem abordarmos, pelo menos superficialmente, a problemática do mal.

    É notório que o "banquinho de deus" tem um tripé [onisciência/onipotência] + [bondade/amor] + [mal moral/sofrimento] insustentável, pois ao juntarmos dois desses pés, qualquer que seja a combinação escolhida, isso necessariamente excluirá o terceiro pé e, por conseguinte, o sistema como um todo acabará desmoronando.

    Logo, toda teodiceia religiosa monoteísta é logicamente inconsistente.

    A própria bíblia admite que a mensagem cristã é loucura. Afinal, é preciso abdicar-se da própria racionalidade para aceitar-se que um deus possa praticar torturas e atrocidades e, apesar disso, ainda continuar sendo tido como bom só pelo fato de ele ser deus.

    Em face de tudo que foi comentado aqui, para o sistema de crenças cristão, a evolução é a menor das dificuldades. E o criacionismo é tão inútil para a teologia que não apenas é incapaz de resolver os problemas já existentes, como também cria outros ainda piores.

    Um abraço.

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  2. É exatamente isso Marcus, e eu noto como é dificil para a maioria dos cristãos entender isso. Voce resumiu muito bem, principalmente na parte do "suja e desonesta" em relação aos "cientistas cristãos". Desonestidade intelectual é algo muito praticado para tentar adaptar a religião a ciencia. Muito bom o texto, um abraço

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